Vitória

Uma UC de Cerrados entre Taubaté e Caçapava no Vale do Paraíba paulista

Este abaixo-assinado foi vitorioso com 205 apoiadores!


"Os campos cerrados que aparecem (...) nas colinas pleistocênicas do médio vale superior do Paraíba, parecem ser a mais velha relíquia de vegetação do Brasil Sudeste. Ao que tudo leva a crer, com a umidificação geral sofrida pelo clima do Brasil Sudeste nos fins do Quaternário, as florestas orientais se expandiram para o ocidente, conquistando enormes áreas nos rebordos do Planalto Atlântico, e penetrando fundo pelo interior do planalto, onde as condições de solo permitiram seu enraizamento. Apenas os tratos de solos arenosos e menos férteis possibilitaram uma resistência por parte da vegetação de cerradões e campos cerrados que antecederam a floresta. Ao contrário do que sucede no Centro-Oeste, em São Paulo houve uma inversão completa do quadro primitivo de distribuição dos campos e matas. Lá os cerrados e cerradões continuaram a constituir o substrato principal da vegetação: aqui as florestas substituíram quase toda a cobertura antiga, deixando seus relictos insulados em compartimentos preferenciais" (AB'SÁBER, 1956, p.29).
"As “ilhas” de cerrado do referido vale foram reduzidas a áreas ainda menores devido à expansão da cultura cafeeira, em meados do século XIX, formação de pastos para a pecuária leiteira, e, posteriormente, à crescente urbanização e industrialização da região. Pesquisadores do projeto “Viabilidade da conservação dos fragmentos de cerrado no Estado de São Paulo” (programa BIOTA - FAPESP) visitaram 5 áreas de cerrado nos municípios de São José dos Campos, Caçapava e Taubaté, onde diagnosticaram fragmentos nos quais predominam as formas campestres (campo sujo, campo cerrado e cerrado senso estrito). A partir de análise florística identificaram 122 espécies, das quais 15 são típicas da flora local, entre elas: Acosmium subelegans (perobinha-do-campo), Aegiphila lhotzkyana (tamanquira), Byrsonima coccolobifolia (murici), Tabebuia ochracea (ipê amarelo), Cybistax antisyphilitica (ipê verde), Schefflera macrocarpa (mandiocão do cerrado) e Erythroxylum suberosum (mercúrio do campo) [Lobeira - Solanum lycocarpum}.
Cada fragmento visitado continha em média sessenta espécies, das quais 17 não são encontradas em nenhum outro local do Estado, sendo mais comuns em Minas Gerais e em outras áreas de transição da Mata Atlântica para o cerrado (Op. cit.).
Em função da distância em relação a outras áreas que permitam a entrada de novas espécies, os cerrados valeparaibanos tendem a ficar menos biodiversos; porém, o elevado número de ocorrências únicas e a peculiaridade das condições ambientais justificam a priorização da conservação destas áreas" (MARSON & FREITAS JUNIOR, 2009, p. 507-508).
Pelo exposto anteriormente e pela LEI estadual nº 13.550, de 2 de junho de 2009 (Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Cerrado), nós, abaixo-assinados, solicitamos que seja movida uma Ação Civil Pública para que a área com vegetação de cerrados existente nas proximidades entre o limite dos municípios de Taubaté e Caçapava, estado de São Paulo, na margem esquerda da Rodovia Presidente Dutra, sentido RJ-SP, seja transformada em Unidade de Conservação, devido à sua reconhecida importância ecológica, científica e pedagógica, resguardando-a de riscos como o desmatamento, a pecuária, a substituição para o cultivo de eucaliptos, a especulação imobiliária e a consequente extinção.

De acordo com o Prof. Ademir Fernando Morelli: "Em trabalho realizado por Morelli e Rocha (2010) foi constatado que o bioma do cerrado em Taubaté abrangia uma área original de 185,20km², correspondendo por 29,59% de toda a área do município. Para 2010, a área de cerrado abrangia apenas uma área de 2,12km², correspondendo por somente 1,15% em relação à configuração original, e por 0,34% de toda a área do município. Para 2013 estes valores podem estar ainda menores devido principalmente ao avanço da urbanização".



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