Transição Energética dos Fósseis para a Energia do Hidrogênio

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A ENERGIA DO HIDROGÊNIO E A SOCIEDADE BRASILEIRA

A Associação Brasileira do Hidrogênio, ABH2, agradece a todos que contribuíram para o sucesso desta edição pioneira do 1º Congresso Brasileiro do Hidrogênio, que contribuiu para a difusão das inovações tecnológicas da Energia do Hidrogênio, assim como da importância de sua inserção em contextos político, econômico e social extremamente oportunos e vantajosos para o Brasil.

Neste início de século, o mundo passa por uma transição energética dos combustíveis fósseis para a energia do hidrogênio e para as fontes de energias renováveis. Notam-se as crescentes pesquisas para aperfeiçoamento das energias do hidrogênio, solar, eólica, da biomassa, geotérmica e maremotriz. Porém, é a primeira vez que se tem a oportunidade de estabelecer uma economia circular, na qual o uso não ambientalmente agressivo de um combustível produz o mesmo composto do qual foi originário. Cadeias produtivas serão modificadas, enquanto outras, novas, serão criadas.

Este cenário motivou a criação da ABH2, em 5 de abril de 2017, com o intuito de incentivar o desenvolvimento de tecnologias da energia do hidrogênio em território brasileiro, congregar os interessados da pesquisa científica, intensificar a cooperação entre as comunidades científicas, tecnológicas, governamentais e órgãos de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento no setor, além de estimular as atividades industriais na área e divulgar para a sociedade o resultado dessas ações e a sua importância no contexto mundial.

Com sucesso, a ABH2 planejou e co-realizou no Rio de Janeiro a Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio, WHEC2018, evento internacional ocorrido em 2018, com participantes de 51 países. Da mesma forma o fez agora, em 2019, ao promover 1º Congresso Brasileiro do Hidrogênio, com foco voltado para as transformações e oportunidades que se apresentam ao Brasil, com vistas à sua segurança energética, à diversificação de sua matriz energética e ao desenvolvimento sustentável da economia nacional.

O 1º Congresso Brasileiro do Hidrogênio ressaltou o esforço de atividades industriais e de desenvolvimentos em ciência e tecnologia em curso no Brasil nas áreas de produção de biohidrogênio, pilhas a combustível, desenvolvimento de veículos a hidrogênio, com foco nos veículos pesados. Também foi ressaltado o descompasso entre as demandas da academia e da indústria nacionais para o desenvolvimento da área, a ausência de ações governamentais planejadas e direcionadas a este setor, não apresentando perspectiva de inserção do hidrogênio na matriz energética nacional nem no planejamento de longo prazo, para 2050, e a frequente descontinuidade no financiamento de projetos científicos e tecnológicos, no meio acadêmico, nas indústrias nascentes do setor e naquelas de outros setores que se redirecionam à energia do hidrogênio. Isso se contrapõe às análises da Agência Internacional de Energia, do Conselho do Hidrogênio, formado por um conglomerado de empresas privadas de grande porte, e às atividades em outros países do mundo, que já reconheceram a inexorabilidade da introdução da energia do hidrogênio em suas matrizes energéticas, tais como o fato do Japão ter anunciado trabalhar para tornar-se uma Sociedade Sustentável com o uso da energia do hidrogênio, da China ter planejado a inserção em mercado de 10.000 ônibus a hidrogênio a partir de 2020, da Coréia do Sul ter recém lançado ambicioso Roteiro para a Energia do Hidrogênio, da Holanda ter planejado descarbonizar a sua indústria química com o uso do hidrogênio, da Alemanha e da Inglaterra terem lançados os primeiros trens a hidrogênio do mundo, da Califórnia ter criado uma extensa rota com estações de abastecimento de hidrogênio para automóveis, dentre outros.

Ressalta-se que, em um contexto no qual as desigualdades sociais e a energia serão os grandes desafios sinérgicos do Século XXI, o Brasil destaca-se com potencial para produção de hidrogênio de forma limpa, para o consumo próprio, para a exportação em forma de commodity, para utilizá-lo no armazenamento de energia de maneira compensatória à intermitência das energias renováveis, para a geração distribuída de eletricidade em redes inteligentes e de incentivo à indústria 4.0. Atualmente, a forma mais barata de se obter o hidrogênio é através da reforma do gás metano, oriundo do gás natural, de aterros sanitários ou de estações de tratamentos de esgoto. Além disso, os excedentes de produção de energia elétrica provenientes das energias renováveis podem ser direcionados ao processo de eletrólise da água para produção de hidrogênio. Somam-se, ainda, as possibilidades de sua obtenção a partir de resíduos urbanos ou agrícolas e de combustíveis líquidos. Acrescenta-se também que recentemente foram descobertos no território brasileiro poços de hidrogênio natural, tendo sido identificados, mas ainda não totalmente analisados e quantificados quanto à sua capacidade de produção. Portanto, apresenta-se grande oportunidade para que o Brasil garanta um cenário energético futuro favorável, com grandes vantagens ambientais e de suporte a melhorias sociais, podendo ainda adquirir destaque no cenário mundial na produção e fornecimento de hidrogênio e no desenvolvimento de tecnologias e sistemas que utilizam as pilhas a combustível em seus diversos setores de aplicação. O país é receptivo a esta transição energética por ter sido o único país no mundo que realizou, com sucesso, a transformação de um combustível veicular, ao introduzir o etanol como combustível substituto da gasolina, sendo, agora, detentor de condições únicas para, em associação com as energias renováveis, produzir e transformar o hidrogênio em uma mercadoria energética e utilizá-lo como forma de armazenamento de energia em caráter, inclusive, de segurança energética nacional.

Assim sendo, a ABH2 convida e encoraja toda a sociedade brasileira, representantes de governo, instituições de pesquisa e da indústria, a participarem deste processo de transformação nacional, no desenvolvimento de políticas públicas que sejam capazes de trazer os benefícios econômicos e sociais que são de extrema relevância para o país, ao produzir e promover o uso do hidrogênio de forma limpa e sustentável.

Rio de Janeiro, 08 de novembro de 2019

Paulo Emílio Valadão de Miranda
Presidente
Associação Brasileira do Hidrogênio

Luiz Pinguelli Rosa
Diretor de Relações Institucionais
COPPE/UFRJ

Gustavo Silva Nunes
Diretor Financeiro
Associação Brasileira do Hidrogênio

Sérgio Pinheiro de Oliveira
Vice-Presidente
Associação Brasileira do Hidrogênio

Helton José Alves
Diretor Técnico-Científico
Associação Brasileira do Hidrogênio

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