Abaixo-assinado encerrado

Pela anulação da questão do ENEM sobre globalização

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De acordo com Gregory N. Mankiw, economista da Universidade de Harvard e autor do livro-texto mais utilizado nos cursos de Economia em todo o mundo, 93% dos economistas concordam que impor barreiras a globalização geralmente reduz o bem-estar econômico geral. A informação pode ser acessada aqui.

Apesar do consenso acadêmico em torno da questão, o Ministério da Educação achou razoável indicar, na resposta de uma questão do ENEM, que a globalização e a industrialização geram desemprego, e, por consequência, diminuem o bem-estar da população. 

Não há qualquer base empírica ou teórica que sustente a relação de causa e efeito que o ENEM afirma existir entre globalização e desemprego e, por isso, ela reflete apenas uma opinião (questionável) sobre o assunto. Apesar do avanço da globalização nas últimas décadas, dados internacionais mostram que o desemprego não avançou no período. Além disso, a maioria dos economistas aponta a globalização como um fator de aumento dos salários de trabalhadores em todo o mundo. Neste texto, são apresentados os dados disponíveis sobre a questão, que contradizem a resposta apontada como correta pelo ENEM.

Sendo assim,

(i) A questão não pode ser vista como interpretação de texto, nem exigia que o aluno assinalasse a opinião do autor sobre o tema;

(ii) Ainda que a questão exigisse que o aluno assinalasse a opinião do autor sobre a questão, esta não é mencionada no trecho destacado;

(iii) A questão sequer menciona o tempo ou o espaço onde as mudanças teriam ocorrida.

(iv) Caso consideremos que ela aborda acontecimentos em todo o mundo durante as últimas décadas, a afirmação vai de encontro aos melhores dados disponíveis sobre o período;

(v) Caso a globalização tenha sido entendida como fenômeno abstrato de integração econômica, a afirmação vai de encontro a um esmagador consenso de economistas sobre o tema;

(vi) Caso a questão (por motivos improváveis) exigisse do candidato o conhecimento em teoria econômica necessário para responder a questão, o que não consta no programa curricular do ENEM, praticamente toda a bibliografia indicaria que a integração econômica internacional não gera desemprego;

(vii) Neste artigo, o professor Mauro Rodrigues (FEA-USP) questiona a abordagem do ENEM por outro ponto de vista, da tecnologia e produtividade.

(viii) Neste artigo, crítico à versão inicial deste abaixo-assinado, o doutorando em história econômica Thomas Conti (IE-UNICAMP) defende a anulação com outros argumentos, alguns deles incorporados ao abaixo-assinado.

(ix) Nesta página, você pode saber mais sobre a iniciativa e a ação com a qual o Mercado Popular, organizador deste abaixo-assinado, pretende exigir que a Justiça brasileira anule a referida questão. Caso você tenha feito o ENEM e pretende participar desta ação judicial, que pretende garantir a seriedade científica do exame, acesse para saber como proceder.

Acreditamos que a anulação da questão é essencial para garantir a legitimidade do exame perante a população e a comunidade acadêmica. No presente momento, os organizadores do ENEM e o Ministério da Educação têm a oportunidade de deixar claro que, na educação brasileira, opiniões político-ideológicas particulares não devem ser tratadas como verdades universais. Se o INEP tem o objetivo de estimular o pensamento crítico de nossos estudantes, nada melhor do que dar o exemplo.



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