Abertura das Escolas

Abertura das Escolas

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Abram As Escolas criou este abaixo-assinado para pressionar Pais, professores, médicos, gestores.

Manifesto pelo retorno das aulas presenciais.

As medidas de enfrentamento à pandemia de COVID-19 colocaram mais de 40 milhões de crianças brasileiras fora da escola. Esse cenário já se prolonga por mais de 11 meses.

Desde março de 2020, as crianças foram totalmente alijadas desse espaço fundamental para seu bem-estar, segurança, saúde e desenvolvimento. Trata-se de uma negligência grave e inadmissível do conjunto da sociedade brasileira para com suas crianças, que deveriam ser prioridade absoluta, segundo a constituição. 

Poucos países mantiveram as escolas fechadas por tanto tempo. Na Europa, em meio à segunda onda da pandemia, Alemanha, França, Irlanda, Espanha, Portugal e outros países estão fechando bares, restaurantes, teatros, salas de concerto, academias e shoppings, mas optaram por manter escolas e creches abertas. Afinal, são serviços ESSENCIAIS, cujo fechamento traz impactos sociais muito negativos a curto, médio e longo prazo.

A pandemia está causando um dano grave e provavelmente irreversível ao desenvolvimento de toda uma geração de crianças. As escolas são muito mais do que locais de "instrução": são territórios educativos de segurança, nutrição, interação, socialização, afeto, acolhimento, brincadeiras. Trata-se de um elemento central da garantia de direitos básicos - como a segurança alimentar - e da rede de proteção social - que detecta, previne e cuida de situações de abuso e violência.

As escolas oferecem às crianças oportunidades únicas e indispensáveis de desenvolvimento físico, mental, emocional e social. E as famílias, especialmente as mulheres, precisam que as crianças retornem às atividades escolares para que possam trabalhar e sobreviver.

As nossas crianças mais vulneráveis, que vivem nas periferias e bairros pobres do país, estão submetidas a sérios riscos para sua saúde. Estão sendo colocadas em creches clandestinas, sem regulamentação; expostas à violência doméstica e urbana, a acidentes de trânsito ou domésticos; com sua segurança alimentar ameaçada; sem estímulo, perdendo janelas importantes para seu aprendizado, desenvolvimento cognitivo e psicomotor, e em risco para transtornos emocionais, como depressão e outros.

A socialização é uma dimensão central da vida escolar, e sua perda por tanto tempo pode provocar sérios danos à saúde emocional. O tempo excessivo que crianças e adolescentes permanecem conectados a mídias eletrônicas favorece o sedentarismo e a obesidade, distúrbios oculares, do sono e do comportamento, transtornos da imagem corporal e da autoestima. Além disto, proporciona danos ao seu desenvolvimento e gera ameaças para sua integridade física e emocional.

As perdas para o conjunto da sociedade brasileira são também desastrosas. A evasão escolar pode aumentar no país de forma irreversível após um tempo tão prolongado. Muitas crianças já estão trabalhando para complementar a renda familiar, além do aumento da gestação indesejada na adolescência. Os efeitos econômicos do vazio educacional serão sentidos ao longo de décadas, segundo a OCDE. A falta do aprendizado se reflete em perdas de habilidades e produtividade, e o impacto relativo sobre o PIB pode ser enorme. A perda de escolaridade está relacionada até mesmo à redução da expectativa de vida. 

As crianças de escola privada tiveram parte de sua educação garantida pela tecnologia e já estão tendo aulas presenciais. Com as públicas fechadas, o fosso da desigualdade, já brutal em nosso país - e que adoece a sociedade como um todo com suas nefastas consequências -, vai se aprofundar ainda mais.  

Após 9 meses de intensos estudos, a ciência nos mostra claramente que não é a escola que dissemina o vírus na pandemia. A escola, com estrutura e protocolos, protege - em vez de colocar em risco.

A experiência dos países que abriram suas escolas foi, em geral, bem sucedida. Quase não houve relatos de surtos em escolas nem agravamento da epidemia. A maioria dos casos positivos nas escolas foram importados da comunidade e a transmissão dentro das escolas aconteceu, em geral, a partir de um adulto doente - e não de crianças. Crianças menores de 10 anos são infectadas pelos adultos do domicílio ou em  atividades fora da escola. Professores da educação infantil e ensino fundamental têm se mostrado de baixo risco para o contágio, enquanto os do ensino médio têm risco semelhante à comunidade em geral. 

No Brasil vivemos um aumento de casos em novembro, pela baixa adesão aos efetivos mecanismos de proteção. Em vez de debater a reabertura de um serviço absolutamente essencial para as crianças, jovens e a sociedade, os governantes mantêm as escolas fechadas - sem qualquer menção a investimentos para adaptá-las - enquanto notícias mostraram bares lotados, aglomerações e festas.

E aí reside a contradição: atividades sociais como essas perpetuam a transmissão do vírus em altos níveis. Então, quando poderemos abrir as escolas? Em dois ou três anos? Ou com a promessa messiânica de “quando vier a vacina”? Ora, as crianças serão as últimas a receberem.

Abrir escolas é uma necessidade, um imperativo moral, um direito essencial de quem é prioridade na constituição desse país. 

Reabrir escolas exige investimento. Isso deveria ter sido feito ao longo de 9 meses de fechamento. Onde estão as obras, as melhorias? A omissão dos gestores é flagrante.

Somos um grupo de pais, profissionais e cidadãos preocupados com a infância no Brasil, e queremos alertar a sociedade de que é preciso investir urgentemente nas escolas públicas. 

Se isso não for feito, poderemos ter mais um ano sem vida escolar - uma catástrofe em tantos sentidos.

Vamos cobrar do poder público uma resposta rápida, que construa condições para que todas as escolas públicas do Brasil tenham segurança para o retorno de alunos, professores.

Não defendemos lockdown. Estamos afirmando que, como bem diz a OMS, se usássemos mascaras e evitássemos aglomerações, isso não seria necessário. E poderíamos abrir escolas, como estão fazendo países europeus mesmo em meio a uma severa segunda onda.

Estamos lutando contra uma histórica negligência para com a educação pública em nosso país. Mas quem sabe não temos aqui a oportunidade de começar a mudar.

Parece uma utopia, mas não é. Nossa sociedade já superou desafios piores. É preciso pressão política, recursos e participação da comunidade. Também cabe a nós tentar colaborar com o investimento nas escolas. Em nossa experiência com a epidemia do HIV, a sociedade civil organizada teve papel fundamental - e nos saímos muito bem.

Vamos mobilizar a sociedade brasileira e seus governantes. Venham com a gente. Você também, professora e professor. Essa campanha é também por você. Sabemos o quanto você é fundamental para nossas crianças, e queremos a sua segurança. Confie: numa escola melhor você está seguro.

Se você concorda com esse manifesto, assine e nos ajude a divulgá-lo. Vamos chegar à mídia, às instituições de defesa da infância, da educação e dos direitos humanos, às empresas, ao congresso nacional, a prefeitos e governadores.

Como disse o primeiro-ministro irlandês: “não podemos e não permitiremos que o futuro de nossos filhos e jovens seja outra vítima desta doença”.

Escolas prontas para reabrir em 2021 - essa é a nossa bandeira. Nada é mais forte que uma ideia cujo tempo chegou. Temos pressa, temos uma obrigação, temos um sonho: uma infância melhor e mais justa para nossas crianças.

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