Oficialização do crioulo de Cabo Verde

Oficialização do crioulo de Cabo Verde

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15 de julho de 2022
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A importância deste abaixo-assinado

Iniciado por Mangui Editora

A Manguieditora surgiu no ano de 2020 com o propósito de apoiar os criadores de arte, que de uma certa forma viram os seus rendimentos a diminuir devido aos efeitos devastadores da pandemia de Covid-19. Atualmente, estamos a trabalhar com o propósito de promover novos escritores, assim como de valorizar a nossa língua materna. No ano passado, efetuamos uma campanha de recolha de livros a favor das bibliotecas municipais da ilha do Maio e do Tarrafal de Santiago, efetuámos palestras sobre a nossa língua materna na Escola Secundária do Tarrafal de Santiago, Escola Secundária Regina Silva, Escola Secundária de Achada Grande Frente bem como na Escola SOS. Recentemente, realizamos um conjunto de conversas abertas sobre as variedades da nossa língua materna em parceria com o Palácio Ildo Lobo.


Primeiramente a oficialização apresenta-se plasmada na nossa constituição como uma prerrogativa constitucional. Segundo a Constituição, deverão ser criadas as condições para a sua oficialização plena em paridade com o português. Passamos a citar a Constituição da República de Cabo Verde Artigo 9:
O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna em paridade com a portuguesa. Além disso, todos os cidadãos nacionais têm o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usá-las.”


O nosso querido país encontra-se numa “encruzilhada linguística” devido à ausência de uma política linguística definida. Vamos por partes: é essencial definirmos o que são políticas linguísticas; segundo Calvet (2007) “São um conjunto de decisões sobre as relações da sociedade e das pessoas com as línguas”. As políticas linguísticas vão estar relacionadas com decisões no âmbito mundial, nacional, estadual, municipal ou familiar sobre o uso e por conseguinte o ensino das línguas. Tendo em conta este preceito podemos dizer que estamos perante uma ausência clara de uma política linguística definida Atualmente, existe uma sobreposição de uma língua usada mais num contexto formal versus uma outra língua materna de uso corrente, mas que, ao mesmo tempo, pouco se fez para ser formalizada, o que em nada abona o reconhecimento pleno da língua materna, criando assim uma situação de “confusão linguística”.


Com a oficialização da nossa língua materna, poderemos despoletar o aparecimento de novos escritores poetas e compositores, e, até, mesmo influenciar de uma forma positiva todos os fazedores da cultura, pelo simples fato que o reconhecimento oficial poderá permitir uma maior alocação de recursos financeiros dentro de um quadro legal bem definido. Também poderá melhorar a autoestima de todos os intervenientes na produção da arte, e, por conseguinte, cativar um maior interesse da nossa juventude pela língua materna, no qual poderemos garantir uma melhor transmissão de valores e de todas as tradições orais e ditados populares, a título de exemplo: (a presença do contador de histórias na comunidade.). Já dizia um dos grandes protagonistas do movimento Iluminista, Voltaire: “A poesia é a música da alma e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais.”

Através desta citação podemos afirmar, sem sombra, de dúvidas que a oficialização da nossa língua materna poderá impulsionar o advento de uma música com mais qualidade, sentimental e com uma mensagem mais aprimorada, ou seja um retrato fiel da realidade das ilhas. A nosso ver, se não criarmos as condições para o aparecimento de “novos Manuel de novas ou Codé di Dona.” Iremos assistir à deterioração da nossa música e estaremos até mesmo a pôr em risco o título da nossa morna, como património imaterial da humanidade, visto que até agora não existe nenhuma forma possível de cantarmos uma morna que não seja através da nossa língua materna.

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