MANICÔMIOS NUNCA MAIS!!! CHEGA DE OPRESSÃO!

0 have signed. Let’s get to 100!


Diante da última decisão do Ministro da Saúde, Sr. Luiz Mandetta,

Venho por meio deste abaixo assinado, NACIONAL E INTERNACIONAL, pedir que volte atrás em sua decisão de implantação de manicômios no Brasil.

Sabemos da história manicomial no país, e esta prática, é desumana e de uma maldade tão cruel, que podemos chegar a chamá-la de tortura.

A História nos mostra, a infelicidade dos manicômios instalados no país, antigamente, e nos diz o seguinte:

-Pessoas privadas de sua liberdade, presas, passando fome ou se alimentando de forma desumana (restos de comida do lixo, comida estragada).
- Pessoas acorrentadas, apanhando de "profissionais de saúde", sendo xingadas, mantidas atrás de grades, dormindo no chão em amontoadas em pequenas camas de cimento. 
- Pessoas nuas ou mal vestidas, com os órgãos sexuais mostrando, péssimas condições de higiene. Homens e mulheres urinam e defecam no chão, pisam ou comem depois. 
- Mortes, aos montes! Só em um manicômio foram 60 mil mortes, Mas sempre havia uma forma de maquiar. "Vamos dizer que foi suicídio!". 
- Cadáveres eram comumente vendidos para universidades, um sistema que lucrava com a morte dos loucos.
- Mulheres e homens sendo estupradas(os) ou obrigados a fazer sexo ao ar livre pra satisfazer o instinto perverso dos trabalhadores dos manicômios.
- Mas não eram vidas, não eram pessoas, eram loucos, animais, pedaços de carne podre, que não pensam, não sentem, não produzem, não sabem de nada. (Assim pensam os monstros que produziram e produzem mortes em manicômios). 
(Essa realidade aconteceu e acontece em muitos manicômios espalhados pelo Brasil, pelo mundo).

Como forma de combater esse cenário podre e arraigado de morte e negação dos direitos humanos, inúmeros profissionais da saúde mental se mobilizaram em 2016, para evitar essa prática, QUE FOI MENCIONADA PELO GOVERNO TEMER e tinham como um lema: Por uma sociedade sem manicômios. Em 2016, felizmente não foi instaurada.

Foram reuniões, passeatas, discussões, perseguições e discutiu-se o que já havia sido decretado pelo então presidente, LUIZ FERNADO CARDOSO, em 2001, onde  culminou a Lei 10.216, de abril de 2001. 


Uma lei que, mesmo com algumas brechas, tem conseguido garantir a criação de serviços substitutivos aos manicômios, promovendo cuidado mais humanizado para pessoas em situação de sofrimento psíquico. 
O movimento da Luta Antimanicomial não se manifestou apenas nas décadas de criação do movimento, mas tem suas raízes em movimentos que se compilaram e tentam combater os manicômios físicos que ainda existem no Brasil (só no sistema público são mais de 732 mil leitos psiquiátricos), os manicômios mentais (que se manifestam como práticas e discursos que tentam desconsiderar o louco em seus direitos) que reforça uma cultura manicomial forte no nosso país. 
Foucault, Basaglia, Jean Oury, Guattari, Paulo Amarante, Paulo Delgado, Seu Geraldo Peixoto (in memorian) nomes que combateram os manicômios no mundo e no Brasil foram a base para nos firmarmos em luta contra os manicômios em suas diversas faces. 
A desinstitucionalização não dizia respeito apenas a acabar com as grandes instituições psiquiátricas, mas desinstitucionalizar nossas práticas que podem ser atravessados por movimentos de anulação do outro em seu direito à diferença, reforçando lógicas manicomiais travestidas de tutela, cuidado, boa vontade. 
No entanto depois de anos de luta e resistência o Ministro da Saúde Marcelo Castro declarou a saída de Roberto Tykanori Kinoshita Coordenador Nacional de Saúde Mental, pessoa engajada com a Luta Antimanicomial que vinha resistindo de forma comprometida às tentativas de desarme da Saúde Mental no Brasil. 
Mas quem foi nomeado? O Psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho, ex-diretor do maior hospício privado da América Latina, o Dr. Eiras, em Paracambi (RJ) assumidamente contra a Reforma Psiquiátrica.

Portanto, diante dos fatos expostos, e diante de tantos argumentos e nomes de pessoas e especialistas envolvidos no tema.

Venho humildemente, solicitar, que o MINISTRO DA SAÚDE, repense sua decisão, e altere suas diretrizes, afim de garantir até mesmo, sua consciência tranquila, em relação aos #loucos# do nosso país, e que os mesmos, não sofram possíveis torturas, desonrra, desumanidade, desalento, desafeto, descumprimento das leis básicas dos direitos humanos, e tantos outros direitos que o ser humano, já conquistou, e que assim que nasce, deve ser mantido.

Essa não é uma luta apenas dos profissionais de saúde, dos profissionais de Saúde Mental ou apenas dos militantes da Luta Antimanicomial. É uma luta de todos que respeitam os direitos humanos. 
Não iremos nos calar, e nem nos oprimir.
Precisamos lutar contra as tentativas de retrocesso a um modelo que causa morte, anulação, repressão, violência todos os dias.

E temos ciência, de que existem, muito além do que a nossa vã filosofia cogita, por trás, desta decisão absurda.

A ganância, não acabará com um País, a ganância, não irá curar os doentes, a ganância é uma doença, e essa sim deve ser curada.

Saúde não se vende, loucura não se prende!
Resistiremos!

Estamos de Luto pela Saúde Mental