Pelo adiamento do exame ANPEC 2021

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#AdiaAnpec

No dia de hoje, 20/06/2020, segundo os dados do Ministério da Saúde, o Brasil acumula mais de 49.000 mortes e mais de 1 milhão de casos de Covid-19 registrados e declarados às autoridades superiores. Vivemos uma crise sanitária, política e econômica sem precedentes na curta história da nossa República. Além disso, parte da nossa população ainda vive os efeitos da crise econômica em curso desde 2015, sujeitos à precariedade do subemprego e à informalidade. Nossas perspectivas, segundo o Banco Mundial, são de um recuo de 8% do PIB esse ano, juntamente com uma tendência de recuo das grandes economias mundiais. Em um cenário onde temos também crises de fatores internos com uma de demanda externa por produtos agrícolas, o Brasil pode estar chegando à encruzilhada que definirá os rumos das próximas gerações de brasileiros e brasileiras que virão.

No meio do caos social e econômico, nós estudantes de economia temos nos dedicados a estudar, compreender e formular ideias para sair dessa crise nos mais diversos níveis, debatendo os efeitos da crise sobre o meio ambiente, ao mesmo tempo em que acompanhamos as tendências mundiais dentro da academia e discutimos as possibilidades de futuras políticas fiscal e monetária e seus moldes para o novo normal. Apesar de todas as adversidades impostas pela pandemia e a necessidade de manter-nos em casa e de quarentena, nós não paramos.

Em meio a esse cenário, nós recebemos com tristeza a notícia da realização da prova da ANPEC nos dias 21 e 22 de Outubro, com datas mantidas e de forma online mas, principalmente, com exigências materiais que podem não ser possíveis para grande parte da realidade dos estudantes brasileiros. Para além das exigências feitas para a realização (possuir computador, câmera e acesso à internet), os organizadores não levam em conta a dinâmica universitária estabelecida durante a quarentena: sem aulas presenciais, sem acesso à bibliotecas e laboratórios, sem orientação e motivação para o estudo preparatório para um exame tão importante, que decide o nosso futuro. É um momento delicado, quando muitos alunos que podem estar doentes, com familiares contaminados ou até mesmo vivendo o luto; além das consequências imediatas nas rendas das famílias, que alteram as dinâmicas em nosso lares e até mesmo nossas projeções para o futuro. O que se desenha é um quadro crítico para a educação superior: em paralelo à decisão de revogar o decreto de implementação de cotas nas pós-graduações, teremos cada vez mais um corpo acadêmico mais estratificado e elitizado. A realização desta prova nessa situação é mais um passo dentre muitos dados para a elitização do acesso ao ensino.

Nós, entidades representativas dos estudantes de economia de todo o país, repudiamos a decisão de realização das provas num cenário de tantas incertezas sobre o nosso futuro e pedimos uma reavaliação dos moldes e datas em que serão realizadas, através de diálogo amplo e franco com o conjuntos dos(as) estudantes de economia do Brasil.

#AdiaAnpec