Tornar o Listão do vestibular Patrimônio Imaterial do Estado do Pará

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Considerando o D E C R E T O N° 1.852, DE 25 DE AGOSTO DE 2009, que Institui o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem patrimônio cultural paraense, cria o Programa Estadual do Patrimônio Imaterial e dá outras providências, vimos por meio deste colher assinaturas  para registrar o Listão do Vestibular do Estado do Pará no Livro de Registro das Celebrações, no qual são inscritos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade e do entretenimento.

SOBRE O LISTÃO

Texto de Márcio Couto Henrique 

Crônicas coutianas - Alô papai, alô mamãe! Viva a universidade pública e gratuita!

Em Belém a comemoração do vestibular é muito peculiar. Existe um hino da festa, a famosa “Marcha do vestibular”, de Pinduca:
"Alô, alô, alô papai, Alô mamãe / Põe a vitrola pra tocar / Podem soltar foguetes / Que eu passei no vestibular / Eu agora não me iludo / Estou com a cuca controlada / Já não sou mais cabeludo / Estou de cabeça raspada / Tudo agora é alegria / Vou alegre pintando o sete / Com a turma na folia / Dando tiros de confete"
Os aprovados têm a cabeça raspada (homens) e se exibem e são exibidos em cima ou nos porta-malas dos carros, que desfilam pelas ruas com cartazes, onde se lê “Burro!”, “Calouro UFPA/UEPA”... Quem está na rua acena, bate palmas, grita “parabéns!” Motoristas dos outros carros buzinam, se juntam ao festejo dos desconhecidos. Em todos os bairros, mas especialmente nas periferias, fogos, muitos fogos! Gente no meio da rua, com a cabeça raspada e suja de ovos! Em tempos de exibição líquida, vê-se, agora, a festa se estender para as redes sociais. Tem gente que desmaia, até! Dá vontade de abraçar todos eles e chorar junto!
Exagero? Não. Existem razões para tanta festa. Vejamos:
Em 2020, a UFPA, a maior universidade pública do norte do Brasil, ofertou 7.143 vagas. Para essas vagas, se inscreveram 93.759 candidatos! Ou seja: 86.616 pessoas ficaram de fora! E, se tu estás entre os 7.143 aprovados, o que fazer se não se sentir privilegiado e exibir, festejar sua conquista de todo jeito!!?
A UEPA ofertou 3.656 vagas e recebeu 83.035 mil candidatos inscritos. Ou seja: 79.379 candidatos ficaram de fora! Festa igualmente legítima!
Assim, a festa “exagerada” que a gente faz quando entra numa universidade pública em Belém revela, ao mesmo tempo, nossa grandeza e nossa tristeza! Grandeza de nossa superação, tristeza de viver num país tão desigual, tão cruel com seu próprio povo! No fundo, a festa “exagerada” de nossa aprovação no vestibular é daquele tipo que eu costumo chamar de É bonita, mas é feia! Mas, é linda!
E, quantos de nós fomos os primeiros da família a ingressar na Universidade (meu caso!)! Exemplo, inspiração para outros depois de nós! Por isso, a cada ano, a gente vê a festa dos outros e se emociona junto, chora junto, festeja junto! E sempre dá um jeito de consolar quem não conseguiu, ainda, passar. Não, mana, se tu não passastes, não foi por ser incapaz. Tu não passastes porque o acesso à universidade pública no Brasil é um funil cruel, que poucos pobres têm o privilégio de passar. Mas, como diz a frase anônima que circula nas redes sociais: “Quando se nasce pobre, estudar é o maior ato de rebeldia contra o sistema”. Ainda mais agora, quando reina a apologia à ignorância em nosso país, governado por um homem que odeia o conhecimento, pois não o tem!
Sejam bem-vindos à universidade pública! E lutem para que ela continue pública e gratuita para beneficiar os que não conseguiram passar e os que vêm depois de vocês!
Endoida, c@#$&! Hoje é o teu dia! E paga tua promessa pra Nazinha no Círio!
OBS: não sei quem são as pessoas da foto, mas do alto do meu prédio ouvi o moço gritar: "Jornalismo, p@##/\!" Parabéns!