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Hospital da Criança de Brasília ofereça video eletroencefalograma VEEG noturno de 12 horas

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Prezados Senhores responsáveis pelo serviço de neuropediatria do Hospital da Criança de Brasília José Alencar – HCB

Os transtornos do espectro autista acometem muitas crianças na nossa comunidade que precisam receber adequada assistência médica o que inclui diagnóstico precoce bem-diferenciado e tratamento. Esses pacientes demandam serviços de assistência à saúde capazes de realizar o adequado seguimento e na região do Centro-Oeste, o HCB se destaca como serviço de referência – o porto seguro – para as famílias de toda a região.

Causa estranhamento o fato de esse HCB não oferecer em seu serviço de neuropediatria exames de Video Eletroencefalograma estendidos, como o Video Eletroenvcefalograma Noturno de 12 horas, sem os quais fica comprometida a possibilidade de diferenciação diagnóstica entre autismo e diversos tipos de epilepsias.

Wolf, P. 1(2010) adaptado por Yacubian, E. M. T. ensina que crises epilépticas geralmente não ocorrem ao acaso, mas apresentam distribuição circadiana relativamente bem definida. Assim, nas encefalopatias epilépticas da criança, como as síndromes de West e Lennox-Gastaut, as crises ocorrem principalmente no início do sono; nas epilepsias do lobo temporal [como na Síndrome de Landau-Kleffner], as crises tendem a ocorrer no sono, inclusive durante cochilos vespertinos; as crises hipermotoras da epilepsia do lobo frontal predominam no final do sono, em horário próximo ao despertar, enquanto as crises das epilepsias generalizadas idiopáticas, particularmente as crises convulsivas da síndrome das crises tônico clônicas do despertar, tendem a ocorrer em até duas horas após o despertar. A distribuição circadiana das crises epilépticas tem implicações em vários aspectos fundamentais no tratamento das epilepsias, como na caracterização clínica da síndrome epiléptica, na caracterização eletrencefalográfica da síndrome epiléptica, na instituição terapêutica e nos aspectos psicossociais das epilepsias. [...] Dados sobre a distribuição circadiana das crises permitirão chegar a conclusões sobre a ictogênese, pois demonstrarão flutuações ao longo do dia do limiar crítico e da propensão a crises. Como consequência, será possível determinar, em alguns pacientes, o risco de terem crises em determinados períodos do dia e esse padrão terá implicações na instituição da terapêutica, que deverá sempre considerar a distribuição dos eventos críticos. Outras consequências da distribuição circadiana das crises incluem aspectos sociais como o horário de trabalho, a direção de veículos automotores e, ainda, o momento em que a dose da DAE deve ser mais elevada para minimizar o risco de crises.

Como poderia ser feita a diferenciação do diagnóstico de um indivíduo autista encaminhado ao serviço de neuropediatria desse Hospital, se esse hospital não oferece exames imprescindíveis à correta caracterização e ao seguimento de doenças epilépticas?

A busca pelos termos epilepsy e autism no repositório Pubmed retorna a surpreendente quantidade de 2.008 artigos científicos ligando autismo e epilepsia. Essa ligação fica ainda mais estreita quando a busca é refinada para os 257 relatos de casos, nos quais frequentemente se lê a preocupante ocorrência de autismo secundário a epilepsias, o que corrobora a necessidade de adequada diferenciação de diagnóstico, através da investigação neurológica e genética. Uğur, C., et al2 (2014) relatam caso de menino com Síndrome de Landau-Kleffner e autismo e salientam que problemas de hiperatividade e de atenção são comuns naquela síndrome, bem como sintomas dos transtornos do espectro autista. Karla M.N. Ribeiro et al (2002) relatam caso de menino diagnosticado com autismo e regressão autista, que após internação teve seu diagnóstico diferenciado para síndrome epilética. O relato traz à tona a necessidade da diferenciação do diagnóstico e é enriquecido com vasta discussão sobre a mandatória necessidade de um diagnóstico etiológico diferenciado para doenças físicas com sinais e sintomas psiquiátricos, destacando o autismo, por ser um distúrbio psiquiátrico associado a muitas doenças orgânicas com etiologias distintas, entre elas, doenças cromossômicas, distúrbios metabólicos, infecções congênitas, anóxia neonatal, lesões pré-natais, entre outros.

A saúde e a assistência são direitos sociais fundamentais, garantidos no Art. 6º da Constituição Federal de 1988 – CF/1988 a todos os cidadãos brasileiros. É competência comum da União, dos estados e do Distrito Federal cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiências.  Art. 196 da CF/1988 estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197 da CF/1988 garante a qualquer pessoa física executar a fiscalização de ações e serviços de saúde, dada sua relevância pública.

Assim, solicito que sejam tomadas providencias necessárias para que o serviço de neuropediatria desse HCB passe a realizar os exames de vídeo eletroencefalogramas estendidos, em especial o vídeo eletroencefalograma noturno de 12 horas. Além disso, solicito que esse serviço de neuropediatria verifique a possibilidade de realizar o exame vídeo eletroencefalograma noturno de 12 horas em todos os pacientes autistas sem diagnóstico diferenciado em seguimento no seu serviço de neuropediatria.

  

REFERÊNCIAS:

1 - Wolf, Peter. Danish Epilepsy Centre, Dinamarca. Conferência no IV Lasse. Centro de Convenções Santa Mônica, São Paulo, SP: 2010. Adaptado por Yacubian, Elza M. T. Departamento de Neurologia e Neurocururgia da Universidade Federal de São Paulo – USP/SP.

2 - Uğur C, Saday Duman N, Bektaş O, Kağan Gürkan C. Antiepileptic treatment in a child with Landau Kleffner syndrome: a case report. Turk Psikiyatri Derg: 2014.

3 – Ribeiro, K. M., Assumpção, F. B. Jr e Valente, K.D. Landau-Kleffner and autistic regression: the importance of differential diagnosis. Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (SEPIA) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, São Paulo SP: 2002.



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