EM DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS Enquanto houver pandemia, não tem retorno às escolas!

EM DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS Enquanto houver pandemia, não tem retorno às escolas!

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 2.500!


Nós, professoras e professores das redes de ensino pública básica (estadual e municipal) e particular, da capital e do interior do Estado do Ceará, viemos manifestar aqui nossa preocupação e repúdio ao anúncio de retomada das atividades presenciais, sem que as condições de trabalho, ensino-aprendizagem e de direitos, estejam garantidas aos profissionais das escolas e estudantes.

Diante disso, exigimos junto ao governador do estado, aos prefeitos, às Secretarias de Educação e ao conselho estadual e municipais de ensino, que seja retirada qualquer proposta de retomada das atividades escolares presenciais, no caso, previstas para o próximo mês de agosto.

Lamentavelmente, nesse momento, o governo Camilo, cedendo à pressão dos setores empresariais, avança em um "Plano de Flexibilização". Assim, alinha-se à política genocida do governo federal, que tem levado a um aumento estrondoso do número de mortes no Brasil e que, hoje, ultrapassa 1,6 milhões de casos de contaminados e mais de 65 mil mortes.

A Vida vale mais que os lucros. Nesse sentido, conclamamos a todos e todas que compõem diretamente a comunidade escolar e a sociedade em geral, a somar-se a esse chamado de NÃO AO RETORNO ÀS ESCOLAS. Apenas assim podemos evitar que estes espaços privilegiados de conhecimento se tornem enormes vetores de contaminação do Coronavírus.

No Ceará mais de 70% dos leitos de UTI permanecem ocupados, quando o “ideal” seria de apenas 30%. Sem falar, no aumento acelerado de casos de Covid-19, no interior do estado e aqui na capital, após a flexibilização do isolamento fez voltar a crescer a procura aos prontos-atendimentos.

É preciso ainda, que haja um aumento do número de funcionárias/os (auxiliares de serviços gerais, merendeiras e porteiros), com o devido treinamento para lidar com essa situação excepcional e munidos de EPIs – principalmente, nos momentos em que se costuma ter maior aglomeração, como o das refeições. É fundamental a realização de testagem nas escolas e que essa não seja substituída por nenhum documento de autodeclaração de saúde. Vale salientar que sequer foram anunciados recursos extras para que as escolas garantam essas condições básicas de funcionamento. Ao contrário, houve uma redução de 20% na despesa de custeio nas escolas.

Defendemos a continuidade e ampliação do auxílio-alimentação para os estudantes, condições técnicas e pedagógicas (materiais, computadores e acesso à internet), necessárias para o acompanhamento das atividades remotas. Estas devem ter um caráter provisório e complementar, sem prejuízo do ano letivo, com a devida adequação curricular. Salientamos que compreendemos a indiscutível necessidade de manter o vínculo estudante-professor, mas de forma criativa e não apenas no repasse de conteúdo.

E, diferente do que NÃO aconteceu no início da implementação desse processo em curso, ao retornarmos às aulas defendemos que haja o mais amplo e democrático debate, com todos os segmentos da comunidade escolar sobre a reposição dos conteúdos trabalhados de forma remota. É preciso, ainda, o devido apoio psicológico nas escolas no período pós-pandemia, sobretudo devido ao aprofundamento dos problemas sociais: crise econômica, aumento da violência e os processos de luto decorrentes da crise sanitária.

Reafirmamos, pois, que não abrimos mão dos nossos direitos: defendemos a manutenção dos empregos e dos salários; o cumprimento das pautas da campanha salarial (do magistério da Rede Estadual) e a imediata nomeação dos/as concursados/as do estado, para que estes reponham as atividades dos professores que fazem parte do grupo de risco.

Por fim, exigimos das representações de classe das respectivas categorias, a convocação imediata de Assembleias Gerais e que suas deliberações sejam prontamente atendidas pelas autoridades responsáveis. Apenas assim, quando, de fato, houver condições, poderemos retornar às nossas escolas, com a tranquilidade necessária para a realização de um processo de ensino-aprendizagem de qualidade, no qual nenhum estudante seja "deixado para trás".

Assinam esse Manifesto
Professoras e Professores da Educação Básica reunidos em Plenária Virtual no dia 04 de julho de 2020