Não ao retorno das aulas presenciais de todas as escolas baianas na pandemia!

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Não ao retorno das aulas presenciais de todas as escolas baianas, que expõem estudantes, professores(as) e toda a comunidade escolar à morte diante da pandemia provocada pelo novo Coronavírus.

Este abaixo assinado visa manifestar total repúdio à possibilidade de retorno às aulas presenciais nas escolas públicas e particulares do estado da Bahia.

A Bahia vive um cenário caótico, onde, segundo o Boletim Epidemiológico-COVID-19, divulgado no dia 05/08/2020, pelo site http://www.saude.ba.gov.br nas últimas 24 horas, foram registrados 4.348 casos de Covid-19 (taxa de crescimento de +2,5%), 58 óbitos (+1,6%). Isso significa que, no dia 05 de agosto de 2020, a Bahia foi o segundo estado brasileiro com maior número de infectados em 24 horas, ficando atrás somente do estado de São Paulo. É importante lembrar que até o presente momento, foram contabilizados 3.771 óbitos em todo o estado.

Diante dos números alarmantes e preocupantes apresentados acima, surge uma gigantesca onda de angústia e medo coletivo por parte dos educadores/educadoras, estudantes, membros das milhares de comunidades escolares existentes no estado da Bahia, além de mães, pais e responsáveis, quando o assunto é o retorno as aulas presenciais. O retorno da atividade escolar, que vem sendo anunciado pelo governador da Bahia, Rui Costa, coloca os estudantes em potenciais situações de contágio pelo novo Coronavírus, pois sabemos há tempos que se trata de um vírus altamente contagioso e também mortífero.

Sabendo-se do papel que as crianças e adolescentes podem ter na disseminação do vírus para adultos vulneráveis ​​em casa, assim como para professores mais velhos e funcionários da escola com problemas crônicos de saúde, tais como: diabetes, doenças do coração, doenças do pulmão, entre outras que podem ser fatais em pessoas consideradas dos grupos de risco, nós, educadoras e educadores baianos, que conhecemos de perto a realidade das escolas em nosso estado, não fomos em nenhum momento ouvidos ou consultados sobre como são as dinâmicas das aulas em nossos respectivos cotidianos e quais seriam os entraves e possíveis ameaças que acreditamos existir dentro das dinâmicas que envolvem o processo de ensino e aprendizagem dia após dia, especialmente quando se trata da realidade das escolas públicas municipais e estaduais, que desde o momento do percurso: casa-escola e escola-casa, apresenta risco em potencial de contaminação, afinal os ônibus escolares que sempre foram oferecidos aos estudantes, estão historicamente em péssimo estado de conservação além de superlotados. As escolas apresentam ainda, banheiros que nunca tiveram sabão para a higienização das mãos após seu uso, com bebedouros em números insuficientes para as comunidades escolares, as salas de aula são superlotadas, boa parte delas são quentes, muitos estudantes ficam com aulas vagas devido a falta de contratação de novos professores para o quadro de docentes, o que acarretará em uma maior circulação de estudantes pelos espaços da escola, aumentando as chances de contato físico e possivelmente contágio.

Toda esta situação será agravada pela falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças que, caso venha ocorrer o retorno as aulas presenciais, passarão a andar sozinhas e por muitas horas consecutivas fora de casa. Infelizmente verificamos por todo o país uma frequente desobediência por parte de muitos adultos em manter os protocolos de segurança que combatem a disseminação do vírus: uso correto e obrigatório de máscaras, distanciamento social, isolamento social, higienização frequente das mãos, entre outros, o que nos faz duvidar que crianças e adolescentes em idade escolar, que em geral têm menos maturidade que os adultos, possam de fato garantir o cumprimento destes protocolos, além do que, em escolas de médio e grande porte é praticamente impossível garantir a fiscalização em relação ao comportamento de centenas e centenas de estudantes. Quem conseguirá garantir que protocolos já citados acima serão de fato cumpridos a risca e durante todo o tempo de duração das aulas? Todos estes riscos acabam representando situações potenciais de contaminação pela Covid-19 para os estudantes, seus familiares e comunidade escolar de uma maneira geral.

Assim, consideramos o retorno neste momento uma decisão caótica, unilateral, ditatorial e de grande irresponsabilidade, representando uma abertura muito perigosa no isolamento social que todas essas pessoas mantiveram até agora.

Nós, educadoras e educadores baianos, temos total e irrestrito compromisso com as milhares de vidas presentes dentro e fora das escolas da Bahia. Estamos obedecendo o isolamento social desde o início da pandemia, pois acreditamos e seguimos a Ciência e a Medicina. Educadores da rede particular têm conseguido desenvolver suas aulas porque os estudantes desta rede possuem um maior poder aquisitivo e dispõem de internet em suas residências. Salientamos que, mesmo com as atividades ocorrendo de forma remota pelos estudantes das escolas particulares,  alguns obstáculos também interferem no processo de ensino e aprendizagem, como o fato de que pais e filhos tem dividido o mesmo computador em tempos de aula e trabalho remoto, sem contar com a sobrecarga de trabalho na qual os professores e professoras das escolas privadas estão submetidos em tempos de pandemia.

  Até o momento não presenciamos nenhuma atitude por parte do governador Rui Costa, do secretário de educação da Bahia, o Sr. Jerônimo Rodrigues ou da Câmara de Deputados Estadual da Bahia, nenhuma proposta ou Projeto de Lei que garantisse aos estudantes de baixa renda, internet gratuita ou ao menos a preços populares, para que nós, professores da escola pública, pudéssemos tentar o ensino a distância.

Por fim, reiteramos que não estamos de férias, passeando, viajando ou indo a shoppings centers como sugeriu o governador Rui Costa. Estamos em nossas casas, preservando nossas vidas e dos nossos familiares da ação mortífera deste vírus.

 Acreditamos que governos responsáveis não cedem às pressões econômicas e não colocam em risco a vida da população, em especial a população em idade escolar.

Aulas presenciais, só com vacina, aulas podem ser repostas, vidas não!

Educadores e Educadoras das escolas públicas e particulares da Bahia.