Pelo Teletrabalho até Setembro em todos os Call Centers - A Saúde antes dos Lucros!

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STCC Sindicato dos Trabalhadores de Call Center
STCC Sindicato dos Trabalhadores de… assinou este abaixo-assinado

O Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center encontra-se extremamente preocupado pelo que parece ser o eminente regresso ao trabalho presencial nos Call-Centers. O STCC alerta ainda que, a acontecer, quase que inevitavelmente tal se irá traduzir na proliferação da pandemia e no ressurgimento de novos focos de contágio.

Já alertámos antes que os callcenters, pelas suas características, são potenciais focos de contágio do vírus. Tratam-se de locais de trabalho que quase sempre congregam centenas de trabalhadores em espaços ínfimos; em que os espaços comuns tais como refeição, casas de banho e elevadores, além de serem reduzidos na sua dimensão são também escassos, que na maioria das vezes não têm circulação de ar natural; que funcionam muitas vezes em laboração permanente; cujos trabalhadores vindos dos mais diversos pontos usam na maioria dos casos transportes públicos para se deslocar para o trabalho.

Além disso, as entidades patronais no sector, salvo raríssimas exceções, não só não mostram preocupação com a saúde dos trabalhadores como não demonstram pejo em descumprir a lei - basta ver que em muitos callcenters não foi cumprida até hoje a obrigatoriedade do teletrabalho, com total conivência das autoridades. Tudo isto levou a que, no mês de Março e Abril, surgissem nos callcenters diversos focos de Covid-19, contaminando dezenas de trabalhadores.

Mais ainda, falamos de um sector em que a observação das regras mínimas de prevenção face à Pandemia são quase impossíveis de cumprir. Por exemplo, o uso de máscara torna altamente complicada a conversação telefónica durante oito horas diárias. Perante isso, iremos ver as entidades patronais a pressionar os trabalhadores para que não cumpram com essa regra ou iremos observar um desgaste vocal acrescido da parte dos trabalhadores, tornando insuportável uma profissão já de si desgastante.

Tudo isto faz com que o cenário que já estamos a observar de surgimento de focos de Covid-19 em empresas com grande concentração de pessoas (como temos visto no Montijo ou na Azambuja) se repita nos callcenters deste país, onde laboram cerca de 100 mil pessoas.

Acresce ainda que não estamos a falar de um sector que esteja parado, pelo contrário. Os trabalhadores e as trabalhadoras de callcenter mantém-se a laborar a partir de casa, podem continuar a fazê-lo e, na imensa maioria dos casos, pretendem continuar a fazê-lo até a Pandemia estar controlada. Referimos ainda que a imensa maioria das entidades patronais do sector acumulou lucros gigantescos durante anos a fio e que podem acarretar com eventuais custos adicionais da manutenção do teletrabalho - custos esses que na maioria dos casos nem serão de forma alguma pesados para as empresas.

Salientamos ainda que, pelos mais diversos motivos, o STCC nem é favorável à normalização do teletrabalho, que a nosso ver, fragiliza os trabalhadores e empurra para os mesmos responsabilidades e custos que deveriam ser assumidos pelas entidades patronais nomeadamente;

- o empregador deve obrigatoriamente disponibilizar todo o equipamento para a prestação de trabalho, respectivamente hardware e software, bem como fornecer equipamento ergonómico

- o empregador deve assumir os custos de todas as despesas acrescidas com consumo de energia e água

- o empregador tem de assegurar que faculta toda a informação especifica sobre os riscos associados ao teletrabalho, nomeadamente o isolamento e ajudar a combate-los com comunicação regular entre colegas trabalhadores e destes com as chefias, com realização de reuniões online regularmente, entre outras

- o empregador deve obrigatoriamente fomentar/incentivar os trabalhadores a fazerem intervalos regulares e pausas para se levantarem e moverem, bem como fomentar esses mesmos intervalos regulares para que os trabalhadores pais/mães de filhos menores de idade 12 anos, cujos estabelecimentos de ensino estão encerrados, mas a frequentarem aulas online possam dar-lhes o devido apoio e atenção. O mesmo se aplica aos trabalhadores que vivam com dependentes portadores de deficiência ou maiores de 70 anos de idade

 

Não obstante, o regresso aos locais de trabalho já em Junho e Julho é uma irresponsabilidade enorme e instamos a que o Governo não ceda a mais essa pressão das multinacionais que dominam o sector.

Instamos assim a que Governo e a Assembleia da República legislem no sentido de prolongar a obrigatoriedade do tele-trabalho no sector do callcenters até Setembro, altura em que deverá ser reavaliada a situação antes de tomar qualquer decisão de regresso aos locais de trabalho. Qualquer outra decisão irá contribuir para o surgimento de novos focos da pandemia e, por essa via, para o retrocesso no duro caminho de combate ao vírus que tem sido travado.

 

Salientamos ainda, que o STCC tudo fará, como já fizemos antes, para defender a vida e a saúde dos trabalhadores de callcenter e, por essa via, do conjunto da sociedade. A Saúde e a Vida antes dos lucros!