CARTA ABERTA DE PAIS E MÃES ÀS ESCOLAS PRIVADAS CARIOCAS

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Foi com profunda indignação que nós, mães e pais de estudantes de diferentes escolas particulares do Rio de Janeiro, tivemos acesso a um vídeo que vem sendo compartilhado pelas redes e é assinado pelo SINEPE-Rio – sindicato local dos estabelecimentos privados de ensino.

O vídeo é chocante principalmente por seu conteúdo quase cínico, comprometido com o objetivo exclusivo de garantir adeptos à ideia de volta à uma “normalidade controlada” por já “conhecermos o vírus”. Ora, as informações qualificadas que conhecemos sobre o novo corona vírus (SARS-CoV-2) e a COVID-19 impedem qualquer reflexão séria, honesta e pedagógica a respeito do estabelecimento de uma normalidade e, no Brasil especialmente, de considerar a existência de alguma forma mais eficaz de controle,

Precisamos sublinhar que não vemos nenhuma forma de adjetivar como normal uma realidade que tem apresentado médias diárias de mais de 1.000 mortes e com aumento crescente de casos a cada dia! A adesão a um procedimento de ocultação de informações, somada à quantidade de falseamento do que vem ocorrendo efetivamente todos os dias nesse país é o que mais nos assusta na mensagem veiculada!

Engana-se a entidade produtora do vídeo, e fomentadora de uma política assumidamente de risco, que pais e mães das crianças e adolescentes matriculadas nas instituições de ensino a ela vinculadas estejam alheios às reais consequências de um retorno presencial às aulas neste momento. Espanta, mais uma vez, o fato da opção pela disseminação obscurantista, beirando as fake news, de um vídeo cujo rigor técnico é lamentável, mas que deveria ter um primor calcado na construção do saber que, supostamente, representa. Qual educação será ofertada para nossas/os filhas/os?

Por mais que compreendamos a imensa preocupação econômica que a pandemia desperta, com consequências concretas que já devem estar ocorrendo, a ética que coloca os lucros acima da vida não pode ser, como demonstrado no vídeo, a preconizada por escolas.

Sem dúvida o nome do sindicato dá a ver que a lógica adotada não é a de instituições educacionais. Estas não citariam a ciência apenas convenientemente; a consultariam, levariam em alta conta as informações e conhecimentos por ela elaborados a fim de balizar a ações a se tomar. E a ciência segue apontando o alto risco de ignorar a indispensabilidade de isolamento social ampliado, especificamente segue contraindicando as medidas de flexibilização do distanciamento social, inclusive, o retorno das atividades escolares presenciais.

A lógica que emprenha o vídeo é a de estabelecimentos que parecem, ao acaso, serem de ensino; comércio organizado que poderia ser coletivo de açougues ou abatedouros! Optar pelo retorno presencial neste momento já é temerário, mas fazê-lo intentando contribuir com a consolidação de um senso comum negacionista é repugnante e execrável!

 Além do desrespeito à vida e à inteligência das famílias que possuem vínculo com as escolas, desperta horror o descompromisso com suas e seus trabalhadoras/es que, com o inimaginável retorno, estarão submetidos a uma carga viral muito alta que, como é sabido, possui como única profilaxia o distanciamento social ampliado: não há EPI que dê conta da manutenção da vida de docentes, merendeiras, assistentes, bibliotecárias, etc.

Por fim, os estabelecimentos privados de ensino mostram-se privados de muitas outras coisas, dentre elas, a capacidade de construir uma relação de confiança com aquelas e aqueles que matricularam suas filhas e filhos em suas escolas. Num momento tão delicado como este, romper com a confiança construída com as famílias que mantêm o funcionamento destes estabelecimentos não parece uma estratégia das mais adequadas para o setor.

Nós, mães e pais que subscrevemos essa carta, desejamos que as escolas de nossas filhas e de nossos filhos, se filiadas, se posicionem de modo a, junto conosco, repudiar o discurso anticientífico e falacioso adotado por sua entidade representativa.