Criação de Comitê para acompanhar ações contra assédios em escola em Juazeiro do Norte

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 50.000!


Ao(s) Diretor(es) do Colégio Objetivo,

Prezado(s) Diretor(es)

É de conhecimento geral, que nas últimas semanas, foi amplamente noticiado, em nossa região, relatos de mulheres que sofreram abusos físicos, morais, psíquicos e sexuais. Divulgado na rede social twitter, a #exposedcariri alcançou rápida notoriedade, por, além de propiciar espaço a essas mulheres, até então caladas sob o manto do medo e da intimidação, trazer à baila nomes de pessoas conhecidas, as quais estariam interligadas aos relatos divulgados.

Infelizmente, foi com grande espanto e pesar, que pais e alunos souberam de alguns nomes citados na lista que faziam parte do corpo docente ou ministravam aulas no Colégio Objetivo. Tendo em vista, a notória reputação do Colégio, elencado entre os melhores da cidade, cuja eficiência da educação demonstra-se por meio dos resultados obtidos em vestibulares, olimpíadas etc, é de extrema preocupação que nas dependências do mesmo foi e/ou está sendo palco para possíveis abusos.

De antemão, salienta-se que o intuito da presente manifestação não é de acusar pessoas ou instituições, maculando sua honra e imagem perante a comunidade de pais, alunos e colaboradores, mas de procurar medidas que possam averiguar as questões relatadas, bem como assegurar a integridade das partes envolvidas, em um esforço conjunto e contínuo de pais, alunos e colégio.

Como instituição de ensino, é função basilar da escola garantir, além das lições ministradas em salas de aula, a segurança, a proteção e a defesa dos discentes sob sua guarda, haja vista que tal confiança é delegada dos pais aos membros educacionais.

Todavia, excepcionalmente, quando ocorrem situações que possam expor os alunos a situações perigosas, vexatórias, arriscadas etc, é de responsabilidade daquela adotar as medidas plausíveis, no intuito de sanar ou amenizar os atos indevidos e suas possíveis consequências, não podendo ser extremamente rígido, errando na proporcionalidade da reprimenda, ou inerte, contrariando o senso de justiça.

Desta forma, ao pecar na segurança dos discentes, o colégio inviabiliza, indiretamente, o aprendizado desses.

É notório, ademais, que nos últimos meses, devido a pandemia da Covid-19, as escolas foram obrigadas a fechar o estabelecimento físico, passando a ministrar as aulas perante as plataformas digitais, todavia, ocorre que, mesmo as aulas sendo assistidas em casa, após os relatos expostos pela hashtag (#) supracitada, diversos alunos ficaram receosos em participar das aulas dadas pelos docentes mencionados nos relatos, havendo diversos motivos, inclusive pessoais, para os alunos agirem com tamanha apreensão.

Mesmo com a repercussão do caso e a conduta dos discentes, aos quais não estão tendo o aproveitamento esperado, tendo em vista o receio em participar das aulas, o Colégio permanece em uma postura inativa, apresentando, até o momento, apenas uma Nota de Repúdio aos atos possivelmente praticados em suas dependências, e uma postura de incredulidade para com os relatos dos alunos, parte mais vulnerável e suscetível ao rechaço da instituição.

Assim, por tudo relatado, essencialmente ao receio que paira sobre os discentes, que também lidam com a pressão e incertezas sobre seus futuros e com sua possível prejudicialidade educacional, psíquica e moral, foram solicitados aos pais, por esses, como centro de apoio e de conforto incondicionais, que se fizessem como ponte de diálogo entre os alunos e a diretoria do Colégio, numa forma branda de discutir e de encontrar as medidas proporcionais e justas aplicáveis aos fatos.

Nesse ensejo, espera-se que o Colégio adote ações mais pontuais e assertivas para com seus discentes, não findando apenas em um comunicado para mera satisfação social.

Deste modo, propõe-se que seja criado Comitê de Enfrentamento, para lidar com a devida verificação dos relatos citados e outros que possam ter ocorrido, sendo oportunizado a participação equitativa de alunos, pais, docentes e membros pedagógicos, com a devida publicização dos resultados de forma periódica, bem como que haja um espaço/setor de suporte, para ouvir as demandas dos alunos, conduzindo as indagações com credibilidade, e para acolher as possíveis vítimas de quaisquer tipos de violência.

É de certo que quaisquer outras ações a serem tomadas pela instituição, que possam dirimir a  inércia, até então presente, será recebida como grande aliada no enfrentamento dessa delicada situação.

Ademais, ressalta-se que apenas alinhando as ações e enfrentando conjuntamente essas adversidades, é possível continuar trilhando no caminho da excelência, expondo orgulhosamente os resultados alcançados, mas para isso é preciso agir, promovendo as atitudes esperadas.