Não a desvalorização da enfermagem!

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À Vossa Excelência, Governador Camilo Santana,

Diante do preocupante cenário que estamos vivendo, ocasionado pelo agravamento dos efeitos da pandemia da COVID-19 no Sistema Público de Saúde do Estado do Ceará, que já opera próximo ao limite, fazemos esta solicitação em nome da categoria dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem, cooperados, que prestam assistência à população em hospitais públicos no Estado do Ceará. Ressalta-se, que, estamos arriscando nossas vidas atuando na linha de frente no enfrentamento dessa terrível pandemia que já ceifou diversas vidas de profissionais de saúde em todo o Brasil. Logo, apelamos para a sensibilização do governador para atender as seguintes demandas:
1. O VALOR DOS PLANTÕES divulgado pela SESA para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem cooperados que prestam assistência à população em hospitais públicos no Estado do Ceará não é compatível com o risco que estamos expostos, bem como com a sobrecarga física e emocional. Portanto, sugerimos, que o Governo do Estado adote a tabela de remuneração tendo como base os valores pagos pela Prefeitura de Fortaleza no ato da convocação de Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem para atuar nas unidades de COVID-19 no IJF.
2. Que seja mantida a remuneração de 12 horas e a jornada de trabalho do plantão de 6 horas, haja vista que durante esse período os profissionais acima citados, não suprem as suas necessidades fisiológicas, sendo 6 horas de trabalho ininterruptas.
3. Que seja garantida a remuneração de HORAS EXTRAS trabalhadas já que rotineiramente nossa categoria excede em média 1 hora meia da sua carga horária, a saber: tempo para paramentação e filas para banho.
4. Que seja dado garantias para os profissionais cooperados que venham a adoecer pelo risco inerente à assistência aos pacientes com COVID-19, uma vez que por sermos trabalhadores autônomos, só teremos vencimentos se produzirmos. Entretanto, muitos desses profissionais que estão afastados de suas atividades laborais em virtude da contaminação pela doença, estão sem remuneração qualquer.
5. Reivindicamos condições dignas para atender as necessidades dos trabalhadores, como locais adequados para banho e descanso.
6. Necessitamos da garantia dos profissionais de serviços gerais para trabalhar nas unidades de COVID-19, assim como a disponibilidade de materiais essenciais para esse fim.
Por conseguinte, pontuamos algumas preocupações dos profissionais que atuam diariamente nas unidades de COVID-19 no Ceará:
- O quantitativo de profissionais encontra-se insuficiente, o que reflete no comprometimento da assistência ao paciente bem como no adoecimento dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem.
- Os EPIs que dispomos são de baixa qualidade, tais como: avental rasgando com facilidade, dispensados em quantidade insuficiente; máscaras N95 para a utilização por 15 dias, muitas vezes, sem condições de uso por tal tempo.
- Falta de cumprimento do fluxo criado e construção de necrotérios para óbitos por COVID-19, como consequência, tem-se a permanência de corpos na unidade, tornando o local mais insalubre ainda.
- A comunicação entre serviços e setores que dão suporte as equipes de COVID-19 tem sido ineficaz em muitas unidades, podendo comprometer o atendimento.
Diante do exposto, aguardamos um posicionamento de V.Exa. Camilo Santana, e colocamo-nos à disposição em colaborar com a missão de enfrentamento a pandemia do Coronavírus.

Fortaleza, 27 de abril de 2020.