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Devolvam minha amada filha

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Essa história da jornalista Flávia Werlang que perdeu a guarda da sua filha há um ano. Flavia Werlang · Não basta ser mãe, tem que ser a Mulher Maravilha Sim, há um ano e dois meses minha filha foi retirada sem que eu fosse escutada no processo e com um laudo sobre mim de uma assistente social que NUNCA esteve comigo - nem mais gorda, nem mais magra. Eu tinha um emprego, um apartamento alugado num bairro ótimo de Curitiba e minha filha frequentava o pré 2 de uma escola particular (com aulas de inglês, balé, música, gastronomia). Todos os dias eu a deixava na escola por volta das 8h e a buscava às 18h30. Até que, em 14 de maio de 2015, minha filha foi retirada da escola pelo pai junto com um oficial de justiça e eu era ré em um processo de guarda que alegava abandono intelectual (dizia que minha filha não frequentava a escola e m idade escolar), que eu estava fugida com ela (oi? Eu tinha endereço fixo, emprego, e o pai dela a visitava a cada dez dias, sempre que vinha na sede da empresa para qual ele trabalha, além de levá-lá para passar feriados em SC). Além disso, eu era acusada de usar drogas (oi??) Sem provas e logo eu, que o único vicio que tenho é a Coca-Cola. (Mas tiram filho de mãe porque ela bebe muito refrigerante?). No início, pensei como eu conseguiria sobreviver sem L*, então com 4 anos, a que eu dava a mão todas as noites para dormir. E ainda tinha quinze (sim, 15!) dias para provar que eu não era a bruxa que estava "pintada" naquele processo. Enquanto a ficha caía, eu procurava provas, depoimentos, matrícula nas escolinha... No dia seguinte à retirada da guarda eu estava no trabalho cumprindo as minhas obrigações. Lembro que só tive UM dia de "folga" para conseguir ir em advogada etc, e sim, eu queria ter tempo de chorar, de gritar, de fazer greve e chegar aos ouvidos do mundo que se tira filhos de mães sem escutá-las. Como pode??? Mas eu cumpria o protocolo porque tinha de provar sanidade e responsabilidade. Fiz o teste anti-doping, aquele que vai para os EUA e custa um dinheirão - sim, porque os processos, como tinham prazo também eram uma fortuna - para mim, era surreal, pois eu era uma jornalista que ganhava R$ 3 mil e tinha aluguel, escolinha, comida, transporte e ainda estava pagando o uniforme da filha - e de repente tinha de dar R$ 5 mil, mais R$ 6 mil em cash para que a defesa fosse apresentada no prazo! Ah, vale lembrar que meu pai tinha recém falecido (ele faleceu no dia 4 de março de 2015), e eu nem tinha me refeito daquela perda ainda - nem tinha aceitado a proposta que me fizeram de "doação" de R$100 mil em troca dos meus direitos no inventário. Sim, se você leu até aqui e tem um filho (a quem eu não tinha acesso senão por telefonemas de dois minutos, gravados e com alguém na extensão ou viva voz), deve imaginar que eu já estava sem chão em um mês. A cobrança no trabalho era por produtividade e metas (sim, estão certos). E eu, naquele momento, ainda estava tentando entender o que havia acontecido. Tudo seria mais normal ainda se a dona da empresa não fosse mãe solteira e um dia me chamou na sala para cobrar a minha produtividade. "Mas eu não faltei, estou aqui cuidando dos clientes, e qualquer mulher no meu lugar já teria surtado", lembro que respondi. Ao que escutei: "Eu, no seu lugar, não teria perdido a guarda da filha!". Sim, as primeiras críticas vem exatamente de mulheres como você. Uma semana depois já estavalia sem emprego, mas com uma certeza: "Exitem pessoas que tem medo de nos encontrar porque tem medo de enxergar o próprio 'poço'". Não a julgo. Assim como ela, muitas pessoas não teriam suportado "não ter controle" de uma situação e, mesmo assim, continuar vivendo (ou de pé, apenas). As visitas, a cada 15 dias, no sábado, de 10 às 18h só era permitida se eu cumprisse determinações do Mr. Pai e a visita no domingo era suspensa se eu fizesse algo no sábado que ele não gostasse - uma vez ele suspendeu porque eu havia levado L* na pediatra porque ela estava com uma alergia. Só consegui voltar a pernoitar com a mina filha (a que eu carreguei nove meses na barriga) em dezembro! Para isso, eu já tinha largado projetos, carreira, e fui atrás de L* (que já estava com cinco anos e não, eu não preciso dizer que não pude dar um abraço na minha princesa para comemorar o dia em que ela veio ao mundo), em Santa Catarina. Procurei MP, assessor de juiz, troquei de advogados (os mais renomados foram também os mais inertes), fazia terapia, laudo antidoping debaixo dos braços e consulta em psiquiatra para ter laudo de que sim, eu sou normal e posso criar uma criança (a mesma que eu tive condições de gerar - sem apoio nenhum de família paterna - e pari). Aliás, eu a criei sozinha até aquele maio. As primeiras comidas, era eu quem não deixava se machucar quando caía durante os primeiros passos (e a incentivava em ir em frente apesar do joelho ralado porque assim é a vida). Morei até junho nesta cidade, no interior, mas nada de frilas, afinal, eu sou "aquela que perdeu a guarda" e passei a vender trufas, brigadeiro gourmet, etc. Durante uma semana de férias em que L* estava comigo ainda tive de aguentar B.O. e ter de esclarecer ao Conselho tutelar local que eu fiz uma entrega de brigadeiros acompanhada de L* porque havia "denúncias" de que eu estava colocando a minha filha para fazer trabalho infantil, vendendo brigadeiro na rua (ah sim, eu por acaso tinha colocado minha filha com uma bandeja para vender doces no sinal?). A paciência aguenta certas coisas que nem imaginávamos quando somos mãe, viu? Depois disso - sem que o processo de guarda sequer andasse e nenhum audiência sequer -, ainda sou obrigada a pagar pensão (yes, eu faço parte dos desempregados que pagam pensão! ). Mas a gota d'água foi quando o Mr. Pai fez mais um BO dizendo que eu agredi a minha filha "mas não havia deixado hematomas". E lá fui eu me defender no conselho tutelar, Cras, e para a puta que pariu. Será que existe bom-senso nestes órgãos ou em uma pessoa sequer que faça parte deles? Porque eu era uma mulher de 36 anos, que tinha sonhos, planos, projetos, todos destruídos por um processo e falta de profissionalismo de umá assistente social que deu um laudo SEM me ver, junto a alguém com toga que sequer imagina que existem vidas por trás daqueles autos sem provas. E, mesmo assim, estava tentando fazer o mínimo que eu podia: cumprir visitas três horas nas terçase quintas, das 17 às 20h, mais fim de semana a cada quinze dias. Será que alguém que seria um décimo do que eu fui acusada, se aquilo tudo procedesse, não iria ter chutado o balde? Mas eu ainda estava tentando ser mãe com hora marcada. (Isso vale de reflexão para os próximos casos que V. Ex. julgar, senhor juiz, para vcs que trabalham em órgãos de "defesa das crianças e adolescentes", e a técnicos e peritos judiciais que não sabem ler entrelinhas de um processo óbvio cheio de mentira). Como o processo não andava - não ainda não teve audiência, não teve avaliação psicossocial, não foram escutadas as testemunhas -, decidi voltar do ponto inicial para tentar ter uma vida de volta e lutar daqui para trazer minha filha daonde ela nunca poderia ter sido retirada sem PROVAS ou eu sequer fosse escutada. Só que, alega o advogado do Diabo, que eu - como todas as mães que perdem guarda sem justificativa - que eu tenho de ter condições financeiras, provar sanidade e equilíbrio emocional para ter a minha filha de volta. O que???? Ah, sim, eu tenho que ser a Mulher Maravilha disfarçada em carne e osso. Porque me tiram a vida sem te escutar, interrompem a rotina de uma mulher que criava a filha sozinha a desqualificando como mãe etc e esta pessoa pessoa - após um ano e dois meses - ainda tem que PROVAR que não teve nenhum arranhão. Se você ainda está tentando entender quais os meus graves defeitos para não poder criar e educar a minha filha de apenas cinco anos, é porque você ainda acredita em justiça - e eu desejo, sinceramente, que você nunca dependa dela. Mas se você, assim como eu, quer saber onde isso vai parar, compartilhe até chegar em alguém do Conselho Nacional de Justiça que analise este caso é tente saber POR QUE tiram um filho se m escutar uma mãe e se um processo fica UM ano e dois meses inerte, assim, como se as nossas vidas estivessem congeladas. Porque ninguém vai me devolver acompanhar o primeiro dente que minha filha perdeu, saber o que se passa na escola no fim do dia, ajudá-la a escrever as primeiras sílabas. Ninguém dá de volta o tempo. Obs.: está tudo aí é não comentarei mais sobre. Foi um momento desabafo para não explodir, ok? E creio que sim, isso é normal. Duvido da sanidade das pessoas que não tem - e não demonstram - genuína emoção. * me desculpem as palavras repetidas etc, mas não editei nada. Segue o relato/desabafo de uma mãe que perdeu a guarda na íntegra. Aliás, vc, mãe e mulher, consegue conviver com um advogado que tira a guarda de outra mãe assim? E vc, assistente social, que dá um laudo destes, tem filhos? São duas perguntas que me faço quase todas as noites. AJUDE essa história ter um final feliz. Conto com a sua ajuda.



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