Pelo nosso futuro: uma carta sobre um Brasil em chamas

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Lorena Gadotti criou este abaixo-assinado para pressionar Congresso Nacional

Olá, queridos estudantes.

Acreditamos que vocês estejam passando pelo mesmo desespero e pela mesma sensação de impotência e angústia que nós. Assistir animais, florestas e pessoas encobertos por cinzas atinge nossos corações de maneira indescritível. Esse momento de incerteza afeta a todos, mas especialmente a nossa geração, que viverá as consequências cada vez mais severas dessa crise climática. Vivemos o hoje sem a certeza do amanhã. 

É nosso dever como cidadãos do Brasil e do mundo reivindicar o que o nosso por direito: o futuro. Ele não acontecerá se continuarmos na inércia de destruir, queimar, ignorar. Escrevemos essa carta com o intuito de pedir (ou melhor, demandar) dos nossos representantes ações mais efetivas e transparentes em relação à destruição do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia. 

Por favor, assinem e compartilhem a petição para que possamos, como um todo, concretizar a mudança que desejamos ver. 

 

Excelentíssimos Senhores Parlamentares,


Nós, estudantes, somos o alvorecer do mundo. Desejamos, imensuravelmente, construir e viver o futuro: produzir conhecimento valioso para a humanidade; contribuir para o maior alcance de direitos fundamentais; formar e educar as futuras gerações. Mas desde nossa infância, nossos sonhos vêm sendo ameaçados. Somos a geração que inaugurou uma nova realidade: vivemos o hoje sem a garantia do amanhã. O nosso presente é assombrado por uma crise climática, o sintoma prematuro do colapso ambiental e humanitário iminente, que virá a assolar as próximas décadas de forma irreversível. Para garantir nosso porvir, é imprescindível preservar as riquezas naturais das quais o Brasil é dotado. Essa é nossa súplica para que os senhores não poupem esforços para dar fim às queimadas, que destroem a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado e, com eles, o nosso futuro. 

Além de serem essenciais para a manutenção das dinâmicas climáticas mundiais, esses biomas são os alicerces de diversos setores da economia brasileira. O agronegócio, por exemplo, representa cerca de 21,4% do PIB Brasileiro, sendo um dos maiores fatores de desmatamento no território nacional. Foi comprovado, e inclusive confirmado pela Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que não é necessário expandir as fronteiras agrícolas para aumentar a produtividade do agronegócio. A destruição desses ecossistemas prejudica essa atividade, na medida em que a alteração das condições climáticas resultantes do desmatamento afeta essencialmente a agricultura e, consequentemente, a pecuária. Visto isso, é possível conciliar uma atitude preservacionista com a ascensão do Brasil dentro do mercado internacional, com o aumento da produção combinado a uma postura que atrai a atenção de países com valores ambientalistas, como a França e a Alemanha. Ao contrário do que muitos pensam, o meio ambiente não é um obstáculo para o desenvolvimento econômico, mas sim a resposta. 

Ademais, a preservação por si só pode ser uma fonte significativa de lucro. Nas últimas décadas, especialmente depois da retificação do Acordo de Paris em 2015, o mercado de carbono vem crescendo vertiginosamente. O potencial brasileiro dentro desse setor é indescritível, considerando que o território é dotado de milhares de hectares de floresta e, logo, da grande capacidade de sequestrar milhões de metros cúbicos de carbono (que, atualmente, flutuam entre US$40 e US$80, por tonelada). Segundo o engenheiro agrônomo Miguel Calmon, diretor do programa de florestas da ONG World Resources Institute Brasil (WRI), “o mercado de carbono é muito bem-vindo. Em nível nacional funciona para trazer outros setores para essa agenda, como transporte, energia. Isso poderia colocar o Brasil na vanguarda”. Isto é, preservar os biomas em questão significa a possibilidade de um crescimento econômico exponencial para a nação, além do ganho de credibilidade ambiental no cenário internacional. 

É necessário considerar, também, o quão lucrativo o ecoturismo é nessas regiões. Só em 2016, essa atividade movimentou R$ 4 bilhões, sendo que gerou 43 mil empregos e contribuiu em R$ 1,5 bilhão para o PIB do Brasil. Com a preservação dos biomas supracitados, é exequível aumentar exponencialmente o lucro obtido com o turismo. A Costa Rica, por exemplo, é um país que representa menos de 1% do território brasileiro e faturou R$ 15,44 bilhões em 2018. Se usufruíssemos melhor desse potencial, protegendo a fauna e a flora, seria possível elevar significativamente os índices de arrecadação. Nesse caso, assim como em muitos outros, preservar é lucrar. A partir de agora, vejam, nas sombras das cinzas de um Pantanal em chamas, milhares de reais perdidos, que poderiam ter sido utilizados para consertar a infinidade de problemas da realidade brasileira. 

Todavia, a importância desses biomas não se restringe somente ao âmbito econômico. O Cerrado, a Amazônia e o Pantanal abrigam comunidades essenciais para o Brasil, como as indígenas, as quilombolas e as de pequenos produtores agrícolas, entre outras. Tais populações dependem da existência desses ecossistemas para suas atividades econômicas e para a perpetuação de suas práticas. É direito desses cidadãos, assegurado pela Constituição Federal de 1988, preservar suas tradições, culturas, histórias. Sem as terras, as vegetações e os animais, é impossível garantir que esse direito seja concretizado. Assim, conclui-se que as queimadas são um agente não só anticonstitucional, mas também de apagamento: do nosso passado, da nossa diversidade, do nosso povo. Se não preservarmos o ontem e o hoje, o que será do amanhã? 

Outrossim, eles são, indiscutivelmente, um elemento fundamental para a Biosfera. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil é um dos países mais biodiversos do mundo, contendo mais de 20% de todas as espécies da Terra, incluindo as endêmicas e as ameaçadas de extinção. Só o Pantanal, por exemplo, apresenta 2 mil espécies de plantas, 580 de aves, 280 de peixes, 174 de mamíferos, 131 de répteis e 57 de anfíbios. Mas com as queimadas de 2020, essa realidade, tão linda e tão diversa, aproxima-se cada vez mais de seu fim. Os animais que deveriam viver em plenitude e as plantas que deveriam preencher a paisagem com seu verde agora existem somente em cinzas, que preenchem os nossos pulmões, em uma nuvem carregada de pêsame, dor e desespero.  

O Pantanal, a Amazônia e o Cerrado são parte da nossa realidade: as paisagens etéreas compõem o imaginário de milhões de brasileiros. Precisamos deles em todas dimensões de nossa existência, sendo que preservá-los é sinônimo de garantir o sucesso econômico da nação e o futuro das gerações que estão por vir. É dever dos senhores cultivar o hoje, para que possamos colher o amanhã. Os filhos dos senhores puderam ver onças pintadas, jacarés, embaúbas, angicos. Sinceramente, Senhores Parlamentares, nós gostaríamos que nossos filhos também pudessem vê-los, não retratados em uma foto ou descritos como um sonho distante. Por favor, ajudem-nos a preservar o que resta desses habitats, se não por nós ou pelos animais, pelos nossos filhos. 


Gratos pela atenção e por seu precioso tempo, 

Estudantes de um Brasil em chamas 


 

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