A cultura do estupro na Igreja: mulheres metodistas dizem NÃO!

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A cultura do estupro permanece intacta entre nós: a cada hora 11 mulheres sofrem estupro no Brasil, e a cada denúncia existe a tentativa sistemática de deslegitimar e minimizar a violência e abusos cometidos contra as mulheres. Também nas Igrejas. Também na Igreja Metodista. 

Convidamos vocês a, junto com mulheres metodistas, encaminhar esta denúncia acontecida no âmbito da nossa Igreja e a repensar a cultura do estupro entre nós e no Brasil. Assine e divulgue. Manteremos contato e socializaremos os encaminhamentos. >>assine até 31 de maio de 2020! _____________________

Ao Colégio Episcopal da Igreja Metodista.
“Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados”. Is. 58.1

Nós, teólogas, pastoras e leigas metodistas, comprometida/os com os valores do Reino e em busca de dignidade humana para todas as pessoas, queremos registrar a nossa indignação e profundo incômodo diante da denúncia de crime de estupro praticado pelo pastor metodista da sexta região, JOSÈ FABRÍCIO BAHLS, denúncia feita pela própria vítima em rede social, além do devido Registro de Ocorrência em Delegacia competente na cidade de Santo Antônio de Platina, PR.
Nenhuma mulher se sujeitaria a se expor como a nossa irmã Kenia Machado fez, sendo desrespeitada nas mídias sociais por pessoas que repetem o modelo cruel de penalizar a vítima. A dor e a vergonha de ter o nosso corpo violado é algo indizível, por isso não aceitamos que se levante contra ela qualquer suspeita ou comentários sobre a sua idoneidade.
Também não podemos aceitar que a nossa igreja seja conivente com pastores que praticam tais crimes e que acabam sendo promovidos e/ou acobertados por suas lideranças, como se estuprar uma mulher fosse algo sem importância.
Quanto ao pastor que praticou o crime de estupro, fomos informadas de que o mesmo já é reincidente nesse tipo de prática criminosa e até o momento não foi punido pela igreja que sempre restou silente. Juntamos em anexo, documento que comprova a reincidência do pastor, e propugnamos que o mesmo seja afastado e perca as suas credenciais de pastor metodista, naturalmente depois de um processo disciplinar previsto nos Cânones. Sua prática nos fere, nos envergonha e nos violenta também.
Por isso dizemos NÃO à violência contra a mulher. Mas não é uma fala apenas coloquial. As mulheres metodistas do Brasil aderiram à campanha ecumênica do Conselho Mundial de Igrejas “Quinta Feira Uso Preto”, porque a violência contra nós é real também em nossa igreja e precisa cessar urgentemente. A igreja Metodista não pode mais ser conivente com o pecado da omissão, e não mais ser cúmplice do crime cometido, deixando sem punição pastores que praticam quaisquer violências contra as mulheres: física, sexual, patrimonial, psicológica, moral... Queremos que de fato, as mulheres metodistas sejam respeitadas porque somos nós que sustentamos a igreja com o nosso trabalho, as nossas campanhas, as nossas orações e o nosso compromisso real com ela.
Assim, lutaremos, denunciaremos, gritaremos e não mais nos calaremos diante de qualquer silêncio institucional que favoreça um pastor ou bispo que nos violente.
Diante de tamanha gravidade, exigimos que o Colégio Episcopal tome as medidas canônicas contra o pastor José Fabrício Bahls para que ele perca as credenciais de pastor metodista, pois acreditamos que tal medida é justa e necessária, e será pedagogicamente marcante para que nenhum outro pastor ouse desrespeitar uma mulher.
Em Cristo que nos ama em igualdade e respeito,
Subscrevemo-nos.

Eliad Santos - pastora metodista

Maria Newnum - teóloga

Nancy Cardoso - pastora metodista

Rute Noemi Souza – pastora metodista

Yone da Silva – pastora metodista

Magali do Nascimento Cunha – leiga metodista