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CHAMADO AOS GUARDIÕES DOS RIOS
Síntese das discussões levantadas e principais conclusões das rodas de conversa do Festival das Águas

O Festival das Águas de Alter do Chão quer reativar no profundo do ser humano sua missão de guardião da natureza e para isso une artes, rodas de conversa, esportes, espaço infantil, oficinas e rituais indígenas. Acreditamos na cultura e na disseminação de informação como forma de resistência pacífica.

Dos dias 11 ao 15 de novembro, foram realizadas 14 rodas de conversa totalmente gratuitas e abertas ao público, reunindo especialistas e comunitários para debater de forma dinâmica e interativa temas como grandes empreendimentos na Bacia do Tapajós, autonomia e direitos indígenas. Esse texto aponta os principais encaminhamentos e conclusões das rodas de conversa e expressa a opinião dos organizadores do Festival a respeito delas.

Chamamos os Guardiões dos Rios.  
Celebramos as Águas.

"O mundo de água é muito desrespeitado. Não valorizam muito. A água não tem cabelo, ela tem olho. Ali tem muitos donos, como na beira, como no fundo. Tem o visível e o invisível. A água é algo tão bonito, tão importante, é tocado pelo brilhar do sol, pelo brilhar da lua. O quanto ela é bonita. E o Tapajós é de uma importância para nossa vida. A água ela lava o corpo, a alma, o espírito, ela lava a casa. Ela vai renovando… Eu vejo o Tapajós lá de onde ele vem e fico pensando nessa ideia de uma barragem… O que o criador deixou para nós é cuidar do Tapajós." – Neca Borari, Alter do Chão

Vamos juntos fortalecer a luta daqueles que buscam proteger a Amazônia, que dela vivem e que são os principais responsáveis por sua manutenção.

Queremos expandir o debate e divulgar a cultura daqueles que dedicam a vida para proteger a floresta e os rios. E com isso construir uma rede de diálogo com a sociedade para afirmar que na Amazônia tem seres que lutam, existem e resistem.

“É negado o direito de dizer quem eu sou. A nossa luta maior no Baixo Tapajós é para manter viva a nossa identidade, que nos é negada. Nós resistimos e vamos continuar resistindo, mesmo sabendo que é difícil. Pedimos a força dos parentes, temos que lutar unidos.” - Auricelia Fonseca, estudante de direito da UFOPA e liderança Arapium

Rechaçamos este modelo fracassado de desenvolvimento que tem sido posto à força, em prática, na Amazônia. Ele é incompatível com a manutenção dos ecossistemas e modos de vida dos povos tradicionais e moradores da região que buscam defender a natureza.

A Amazônia está ameaçada por megaobras de infraestrutura como complexos hidrelétricos para abastecer a indústria eletrointensiva, portos e hidrovias para escoamento de grãos do centro-oeste do Brasil para o mercado externo, além da própria pecuária e agronegócio, mineração, exploração madeireira e pesca predatória.

“As pessoas hoje em Altamira lutam por um pedaço de terra na beira do lago mesmo sabendo que não vão poder usar a água. Os ribeirinhos estão doentes e não sabem de quê, eles morrem de tristeza. O povo de Altamira não é mais o mesmo, de belo não tem nada. É um belo monte de injustiça.” - Raimunda Silva, Movimento Xingu Vivo para Sempre

Para uns, a Amazônia serve para gerar energia suja e transferir recursos para fora. Não é essa a Amazônia que vivemos e queremos. A Amazônia que queremos respeita os povos indígenas, ribeirinhos, pescadores, beiradeiros, castanheiros, quilombolas e demais populações que vivem na e da floresta. Além disso resgata as memórias e tradições antigas, protege a fauna, a flora, a floresta e cuida de elementos primordiais à vida como a Água.

"Grande para Amazônia é aquilo que traz felicidade, que traz vida. Esses projetos não são grandes, eles são monstros. Colocam condicionante de projeto aquilo que já nos é garantido pela Constituição. E mesmo assim, agora garantido duas vezes, uma pela constituição, outra como condicionante pela execução de uma obra criminosa, e continua nada sem ser feito.". – Antonia Melo, Movimento Xingu Vivo para Sempre

Lutamos contra os projetos de construção do complexo hidrelétrico no rio Tapajós, mas também continuamos lutando contra Belo Monte. Ainda que a obra já tenha sido concluída, os impactos no rio Xingu e nas pessoas que ali vivem estão se agravando cada vez mais. Belo Monte tem uma dívida para sempre com os filhos do Xingu, assim como a Samarco com a população de Mariana. A luta continua para que os impactos sobre o rio, floresta e populações sejam reconhecidos e projetos como a mineradora Belo Sun nao saiam do papel..

"Essa história de projetos na Amazônia é muito antiga e vem amarrada em uma coisa só, a palavra 'desenvolvimento'. Quando você pega todo o "discurso criado" nesses projetos na Amazônia, que falam em desenvolvimento. Logo, quem é contra 'o tal desse desenvolvimento', é favor do atraso. Precisamos desconstruir isso. O desafio do movimento social hoje é como enfrentar esse grau de organização que as empresas e Estado construíram. Uma “iniciativa” muito mais organizada que requer uma articulação gigantesca desses povos". – Danicley de Aguiar, Greenpeace

Esse modelo ultrapassado e de exploração segue o mesmo roteiro de remoções forçadas, negação de direitos e perda de autonomia das populações sobre as águas e florestas. Estas passam a ser geridas por interesses comerciais em detrimento da vontade de seus habitantes.

"Há um projeto hidroviário em curso Tapajós, com barragens para passar cargueiros no rio e transformar o Tapajós numa estrada que vai escoar soja para fora muito mais barato." – Philip Fearnside, ecólogo e Nobel da Paz

Não vamos deixar que isso aconteça no rio Tapajós.

“Percebemos que tudo o que aconteceu em Altamira pode acontecer em outros rios. Minha fala é para chamar a população para unir forças com o povo Munduruku para a gente conseguir de fato vencer o sistema. Vamos lutar juntos para vencer esse mal que está tirando o sono dos caciques, das crianças e de todos que moram ao lado do rio” - Karo Munduruku, Movimento Indígena Munduruku

Exigimos que as populações sejam protagonistas e participem das tomadas de decisão sobre quaisquer planos e iniciativas que afetam seus territórios, com poder para vetá-las antes que se iniciem.

"Os ribeirinhos são as maiores vítimas da indústria de mineração na Amazônia." – Philip Fearnside, ecólogo e Nobel da Paz

É direito que os moradores sejam incluídos nos debates sobre como se organiza o lugar onde vivem. Ressaltamos que esses direitos são garantidos pela Constituição de 1988 e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas/ OIT-ONU.

“Para falar de direito é importante falar do território, da nossa relação com a terra. Da terra tiramos nossa comida, do rio tiramos o peixe e a navegação, da mata tiramos remédio. A terra diz toda a dinâmica da nossa vida. Indígena não é só o aldeado que fala a língua materna. Eu me considero indígena, sou Borari. Eu não preciso dizer ‘eu sou indígena’, meu coração é indígena, temos que quebrar esse preconceito. A partir do território podemos manifestar todo o nosso futuro. O Estado deveria preservar o nosso território, mas acontece o contrário. Antes de falar de saúde, educação, temos que assegurar que o nosso território” - Vândria Borari, Alter do Chão

Quando a água se torna uma mercadoria ou uma via de passagem de mercadorias, corpos se objetificam, ficam doentes e sujeitos à exploração.

"Nossa vida, nossas crenças, nossas curas são regidas pela água. A água é manutenção. Nós povos indígenas compreendemos que não somos donos de nada. Cada lugar tem uma mãe e devemos respeitar a nossa mãe". – Patrícia Juruna, liderança indígena

As mulheres são parte essencial em todos os processos de luta e resistência e precisam ser reconhecidas como tal. Acreditamos no novo equilíbrio entre o masculino e o feminino.

"São muitos impactos na vida das mulheres, que já sofrem cotidianamente com a poluição nos rios e igarapés, com a prostituição, as drogas, a intoxicação. Queremos ser ouvidas" –  Luana Kumaruara, liderança indígena

Os rios são essenciais para o equilíbrio do bioma. Ao barrar o fluxo de sedimentos e toda a vida que ali passa, compromete-se o funcionamento de todo o bioma. Vamos lutar para que os nossos rios continuem correndo livres.

"Se nós não estivermos preparados para uma discussão com esse modelo ultrapassado que chega, eles (o governo, as empreiteiras e mineradoras) passam por cima. Essa ligação entre ciência, cultura popular e arte… é aí que está!" – Jackson Tapajós, UFOPA

Em defesa do Tapajós, do Xingu e de todos os rios, das florestas e dos direitos humanos, exigimos:

1. A consulta prévia, participativa, culturalmente adequada e com poder de veto, de acordo com a Convenção 169 da OIT e a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU.
2. A criação de uma instância decisória na gestão das políticas que incidem sobre a bacia hidrográfica que seja efetivamente representativa, garantindo a voz de populações tradicionais nas tomadas de decisão sobre seu território....
3. O reconhecimento e valorização de que os povos indígenas e tradicionais têm autonomia e conhecimentos sobre o manejo da floresta.
4. A garantia da autodemarcação dos povos e de seus territórios.

Somos guardiões dos rios, somos água!



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