CARTA DE COMPROMISSO - CULTURA PARA REDENÇÃO

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CARTA DE COMPROMISSO

 

Nós, escritores, poetas, artistas plásticos, artesãos, dançarinos, músicos, gestores de cultura, fotógrafos, educadores, produtores culturais, lideres comunitários que estamos imbuídos na efetivação de ações culturais na Cidade de Redenção, por entendermos que a administração municipal  deve, antes de tudo, ter um compromisso com a cultura material e imaterial do município, não aceitamos mais a perpetuação das gestões administrativas caracterizadas tão e somente pela a) Centralização das ações culturais, voltadas única e exclusivamente para a realização de eventos festivos, tais como: Carnaval, Festas Juninas, Natal, Feiras Agropecuárias e etc; b) Indefinição, inexistência e/ou insuficiência de projetos destinados a formação artística; c) Absoluta falta de discussão publica dos poucos projetos existentes, caracterizando a incapacidade de comunicação dos Governos Municipais com os artistas e produtores culturais; d) Entendimento da Cultura como mero departamento de marketing da administração municipal; e) Negação da Cultura como questão transversal que deve dialogar constantemente com todos os aspectos da administração municipal, auxiliando decisivamente na elaboração de uma visão matricial da gestão.

 Deste modo, considerando:

 

1.       Que o Patrimônio Cultural de nosso povo não tem recebido a devida atenção das autoridades públicas, ferindo princípios constitucionais;

2.       Que o poder público não conhece a riqueza da diversidade cultural e nem a valoriza, o que torna necessário o planejamento cultural e políticas públicas para promover as artes em geral;

3.       Que é necessário produzir com qualidade e fortalecer a identidade cultural de nosso povo, atingindo uma população com a mente massificada pela cultura de consumo imediato;

4.     Que a produção cultural, ora tem sido vista como atividade de lazer, ora como fonte de renda das camadas carentes da população, sem projetos que façam crescer a consciência crítica sobre a cultura como fator de desenvolvimento de nosso povo;

5.     Que a falta de espaços culturais públicos adequados ao desenvolvimento de atividades cênicas, circenses, conferências e grandes eventos é algo abominável;

6.     Que a cultura tem sido vista pelos segmentos dominantes e elitizados da sociedade como privilégio dos mais ricos;

7.     Que a cultura é um instrumento vivo da realização do cidadão como membro de uma comunidade;

8.     Que o folclore (dança, folguedos e músicas) reúne manifestações profundas dos sentimentos dos diversos povos que ocuparam e que ocupam esta região e que por falta de apoio encontra-se em processo de extinção;

9.     Que o Patrimônio Histórico do Município de Redenção, tem sido gradativamente destruído, sem que haja interesse em preservá-lo;

10.  Que as fontes da história, entre elas, a escrita, a fotográfica, a arqueológica, a etnográfica e a antropológica, vêm sofrendo um processo de destruição, sem que a elas tenhamos acesso, seja por falta de pesquisa, seja por falta de divulgação, quer do Poder Público ou da iniciativa privada, já que é do Estado o dever constitucional de garantir o seu acesso e a sua preservação;

11.Que é necessário a ampliação da quantidade de grupos articulados, através de fóruns e redes de debates para possibilitar maior intercomunicação;

12.Que é preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico e literário;

13.Que sofremos muito com o imediatismo da própria classe artística e literária, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e agora é a hora para se construir a perspectiva de um futuro melhor;

14.Que, em respeito a diversidade e aos contrastes que produzem ao mesmo tempo riqueza material para poucos e empobrecimento e degradação da qualidade de vida para a maioria da população, precisamos redescobrir a função integradora da cidade e sua cultura viva, para que ela possa revelar a plenitude de seu patrimônio imaterial;

15.    Que o elemento mais importante, foco das políticas publicas de promoção cultural, deve ser a população. O atraso a que estamos submetidos deve ser superado com a promoção de políticas educacionais consistentes, que compreendam a cultura como estratégia para o desenvolvimento humano. Neste aspecto, destacamos a relevância da sociedade civil como interlocutora critica e protagonista das transformações necessárias para evitar a barbárie social e a degradação ambiental;

16.Que é preciso traduzir toda a nossa diversidade cultural em respeito às inúmeras iniciativas produzidas em cada bairro, em cada rua de Redenção, possibilitando a expressão artística dos diversos grupos sociais deste município: grupos folclóricos, grupos de hip hop, grupos de capoeira, artistas plásticos, artesãos, etc;

17.Que o Governo Municipal e os nossos representantes na Câmara de Vereadores não podem mais ficar indiferentes a este novo olhar e voz que renova a vida de Redenção, contribuindo para a elevação da auto-estima das pessoas e para a construção de um forte sentido de pertencimento. O Governo Municipal e toda a sociedade devem trabalhar juntos para construir juntos uma cultura identitatória para Redenção, componente fundamental do desenvolvimento humano, que supere o autoritarismo e o clientelismo ainda muito presentes neste nosso tão ensolarado Sul do Pará;

18.Que a transformação dessa realidade só será alcançada com a participação de toda a população num amplo e abrangente movimento para colocar o município de Redenção no rumo do desenvolvimento sustentável decorrente do desenvolvimento de sua cultura. Com isso,

 

 Ø    Entendemos que todas as iniciativas voltadas para a inclusão social e o desenvolvimento cultural que estão dando certo, sejam no âmbito da esfera pública, da esfera privada, ou da sociedade civil, devem ser apoiadas e ter caráter permanente, não sujeitas a serem movidas por questões de divergências políticas, partidárias, ou por falta de continuidade administrativa.

Ø    Entendemos que as políticas públicas voltadas à sociedade redencense devem proporcionar efetivas condições para o exercício da cidadania cultural, criando instâncias de efetiva participação de todos os segmentos sociais atuantes no meio cultural, compreendido em seu sentido mais amplo, reforçando e respeitando os processos de decisão da população sobre o fazer cultural, a tudo que diz respeito a cultura, seja material ou imaterial.

Ø    Entendemos que o Poder Público Municipal deve tomar suas decisões, em diálogo permanente com a sociedade, e que a questão cultural deve estar presente nas políticas públicas e diretrizes de todas as secretarias que devem atuar de forma integrada, oportunizando a articulação e reflexão em torno dos desafios culturais, respeitando a diversidade e pluralidade de ideias dos seus participantes.

 Ø    Entendemos que a arte e a cultura é um meio poderoso de crescimento pessoal, pois resgata valores morais como amizade, responsabilidade, solidariedade; preenche o tempo ocioso, possibilita mudança de comportamento oferecendo novas perspectivas de vida e, em termos mais amplos, possibilita que crianças e jovens tomem conhecimento de seus direitos, além de levantar a autoestima da comunidade e combater a marginalização e a violência.

ASSIM, nós escritores, poetas, artistas plásticos, artesãos,  dançarinos, músicos, gestores de cultura, fotógrafos, educadores, produtores culturais, lideres comunitários, enfim, todos que podem contribuir para o crescimento da cultura redencense, pois conhecem a realidade do município e o que pode melhorar no aspecto cultural, FIRMAMOS ESTA CARTA COMPROMISSO E PROPOMOS:

·         Que o setor público Firme convênio com a UEPA, FESAR e outros núcleos universitários, para realização de atividades formativas para instrumentalizar conteúdos relativos a artes plásticas, artes cênicas, artesanato, dança, literatura e música, através de projetos de extensão. Paralelo aos convênios firmados, desenvolver  a ação continuada nos, buscando interação social/cultural.

·         Que o setor público Garanta, junto ao Governo Estadual, cursos, oficinas de capacitação técnica para elaboração e gestão de projetos culturais, tanto para os produtores quanto para os gestores técnicos de cultura em Redenção;

·         Que o setor público Elabore oficinas envolvendo a cultura hip-hop e cultura negra nos bairros periféricos em instituições governamentais ou privadas, como forma de resgate da autoestima, cidadania e geração de trabalho e renda.

·         Que o setor público Viabiliza Termo de Cooperação Técnica com o/a responsável pelo acervo material, histórico, biográfico e instrumental do Maestro Levino;

·         Que o setor público Incremente o fortalecimento de espaços dedicados ao artesanato (feira mensal do artesanato) para o desenvolvimento, qualificação e capacitação da identidade do artesanato local e regional, divulgação e comercialização.

·         Que o setor público Efetive concretamente o seu apoio na produção literária (poesia, conto e crônica) e fotográfico do município, com a criação de prêmios literários com editais próprios que contemple suas diversas linguagens;

·         Que o setor público Possibilite apoio para os produtores locais de cultura e suas produções participem de eventos, festivais, jornadas e mostras culturais a nível regional e nacional;

·         Que o setor público Solicite uma contrapartida cultural por parte das entidades e empresas que recebem recursos públicos para a realização de ações culturais, oferecimento de oficinas e cursos para a comunidade.

Desta forma, nós, entidades, grupos e pessoas que produzimos, divulgamos e promovemos todas as formas de cultura na região, que trazemos no corpo e no imaginário a grande riqueza cultural que herdamos de nossos antepassados, abaixo assinamos esta Carta Compromisso como forma de acreditar, acima de tudo, em nossas potencialidades.

 

 

 



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