#BibliotecaAbertaCCBB

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 1.000!


O CCBB fechou, na sexta-feira 08 de junho, a biblioteca do CCBB-rio, criada em 1931 e que recebe quinhentos usuários ou visitantes por dia (conforme o próprio BB). Esta petição demanda, a Carlos Alberto Araújo Netto, Diretor de Estratégia e Organização do BB, que a Biblioteca seja mantida aberta ou, se não possível, que o salão de leitura permaneça aberto ao público. Além disso, que haja uma data de compromisso de reabertura da Biblioteca.

Monteiro Lobato afirmava que um país se constrói com homens e livros. Hoje afirmamos que um país se constrói com mulheres, homens, livros e bibliotecas. “Espaço adequado” é fator crucial no incentivo à leitura e viabilizador do estudo profundo. O Brasil tem um desempenho péssimo em educação, mesmo comparativamente a outras nações em desenvolvimento, figurando entre os últimos conforme avaliações internacionais da OCDE.

A biblioteca do CCBB representa uma brilhante iniciativa de responsabilidade social do Banco do Brasil, de acesso democrático no centro da cidade, com estrutura e horário adequados de funcionamento, da qual depende uma comunidade de leitores, estudantes, professores, estudiosos e pesquisadores. O “anúncio” da decisão ocorreu na quarta-feira dia 6/06, dois dias antes do efetivo fechamento, dificultando a reação à medida implementada à queima-roupa. Aos usuários, foi afixado um papel que afirmava a data de fechamento, sem explicar o motivo além de um vago “reestruturação”, e que seria por tempo indeterminado. Os funcionários terceirizados foram dispensados. A partir de matéria no Globo, e da fixação de um papel visto no sábado no guarda-volumes, descobriu-se que o BB afirma que a empresa terceirizada não vinha cumprindo suas responsabilidades contratuais, que será contatada outra empresa, e que a Biblioteca ficará fechada por tempo indeterminado, no mínimo 60 dias. A foto foi retirada na sexta-feira à noite, no último dia de funcionamento do Salão. 

 A decisão do CCBB tem traços arbitrários, comunicada arbitrariamente, sem tempo de reação, haja vista que se trata de interesse difuso da sociedade, e que mesmo os mais assíduos usuários diretos estão tipicamente em silêncio, sem articulação prévia (muitos sequer viram o cartaz). Pode o banco argumentar que foi impossível planejar a sucessão da empresa contratada (embora seja mais crível que não se tenha dado a devida importância à iniciativa). Um ponto é inescapável: não houve consideração aos stakeholders usuários da biblioteca, além de nenhuma iniciativa com vistas a minimizar o impacto (haja vista que o grande Salão de Leitura tem uma entrada independente do acervo da Biblioteca a qual, com suas coleções raras, requer manipulação especializada). O salão de leitura, mesmo em pleno e demandado funcionamento, só requeria um funcionário, supervisionando e ocasionalmente solicitando a leitura silenciosa. A previsão de “contratação levarará no mínimo 60 dias” é o exemplo contrário de uma informação voltada ao usuário, que está evidentemente interessado na Biblioteca aberta, ou na pior das hipóteses, no tempo máximo, "aberta em sua integralidade a partir de uma data".

O incentivo à leitura sempre foi importante no acesso à cultura e ao conhecimento, e luta contra as investidas de uma sociedade do entretenimento e da distração, que vem ocupando parcela crescente do tempo livre. Mesmo na Europa, a leitura declinou em virtude do uso preferencial e quase onipresente do smartphone. O Brasil nunca chegou a ser destaque no campo da leitura (apenas, infelizmente, negativo). Recentemente, o Rio de Janeiro vem sofrendo um desmonte de espaços para leitura e estudo. A Biblioteca Parque-Estadual fechou e reabriu com horário pífio, entre 11 e 4 da tarde, que não atende à comunidade que estuda, muito menos ao trabalhador que precisa de horário estendido além das horas comerciais). Bibliotecas municipais fecham e pioram o atendimento. O IMPA, especializado em matemática e afins, não obstante sua tradição e reconhecimento, fechou seu salão de leitura nos fins de semana por não poder pagar o ar-condicionado. Não conhecemos uma só biblioteca, de acesso livre, que funcione o final de semana inteiro na cidade. O mobilizador principal desta petição é Fabiano Costa Coelho, servidor do Banco Central, doutorando em políticas públicas pela UFRJ e cliente do BB desde o início dos anos 90. Demandamos a abertura do salão de leitura e estudo, e uma data de compromisso para abertura de todos os serviços da Biblioteca.

https://oglobo.globo.com/cultura/biblioteca-do-ccbb-sera-fechada-sabado-por-tempo-indeterminado-22755339

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1838761-estagnado-brasil-fica-entre-os-piores-do-mundo-em-avaliacao-de-educacao.shtml



Hoje: Fabiano está contando com você!

Fabiano Costa Coelho precisa do seu apoio na petição «Carlos Alberto Araújo Netto: #BibliotecaAbertaCCBB». Junte-se agora a Fabiano e mais 654 apoiadores.