Vitória

Indeferimento da matrícula de Valeska Angelo Torres na UNIRIO

Este abaixo-assinado foi vitorioso com 174 apoiadores!


No dia 29/06/2018 às 23:19, recebo o e-mail da UNIRIO, em que constava que minha solicitação de matricula tinha sido indeferida para o curso de Biblioteconomia pelo seguinte motivo:

"Candidato considerado não-apto pela Comissão de Heteroidentificação de pretos e pardos."

Fiquei, absurdamente, estarrecida com a situação. Surgiram grandes questões pessoais a respeito disso, inclusive, precisei vasculhar minhas memórias para saber quando de fato tive a certeza que não era branca. A primeira delas veio ainda jovem, quando tinha 12 anos e frequentava meu último ano em escola particular. A maioria da sala eram de crianças brancas. Após um acontecimento em sala que envolvia meu nome, um aluno chamado Junior disse que eu era a única negra na sala. Isso gerou um rebuliço por conta de que alguns alunos e algumas alunas, acreditarem que eu era apenas "morena". A professora de língua portuguesa daquela época, esclareceu para mim e para o restante d_s alun_s, afirmando que eu era parda. Desde então, em todos os lugares que ia e precisava me identificar a respeito da minha cor, a minha opção era parda. Por muitos anos me afirmei assim.

O processo de entender meu corpo e meus traços como parte de uma herança afrodescendente se deu aos poucos. Como por exemplo, por muitos anos na infância e meados da adolescência usei produtos químicos para alisar meu cabelo, já que ele é naturalmente cacheado. Ou de ser sempre confundida com as outras meninas da minha idade que tinha a cor da pele semelhante a minha, mesmo não sendo semelhante em nenhum outro atributo físico.  

Já mais velha, entre meus 20 anos e atuais 22 anos, quando me aproximo do movimento acadêmico, de artistas e pessoas mais atentas ao Movimento Negro caminho em direção a um melhor esclarecimento a respeito da minha cor. Sou poeta e me apresento em eventos voltados a poesia. Quanto mais me envolvia nesses ambientes, ouvia das pessoas que me apresentavam como sendo mulher negra. A partir de conversas e alguns esclarecimentos recentes, me afirmei então como negra, porém, entendendo meus privilégios por ter a pele mais "clara" e traços mais "finos" oriundos da miscigenação. Logo depois dessa repercussão, conversando com um amigo, ele me esclareceu ainda mais, quando disse que negro seria raça e dentro dessa raça haveria o pardo ou preto. Reitero ainda com um trecho retirado do UOL:

Para formar a classificação de negros, é comum que seja somada a população preta à população parda para a formação de um grupo. Portanto, usar o termo preto não é equivalente a usar a categoria negro, que pode incluir os pardos. 

Contudo, após todos esses processos, pessoas próximas negr_s com a pele mais retinta não me entendiam como negra e pessoas brancas nunca me entendiam como branca. E digo com certeza, que jamais voltei atrás quando se trata da minha cor e de todo o processo que tive que enfrentar para me afirmar o que sou. Porém, a UNIRIO em seu processo de matrícula me deu as opções em que eu precisava escolher entre preta ou parda. Escolhendo assim a opção parda. Não aceito que a UNIRIO me aponte como branca. 

Após a publicação que fiz no meu Facebook, a partir do print de indeferimento que recebi no e mail (link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=218701125407741&set=a.109894482955073.1073741829.100018035658844&type=3&theater) e a quantidade de comentários e reações seja de raiva ou tristeza, me fizeram criar coragem e com isso o abaixo assinado online, para fortalecer o recurso que já está nas mãos do meu advogado. Acredito que uma banca com seis pessoas não possam julgar um ponto de vista compreendido em cerca de, aproximadamente, dois minutos com a minha presença. Além de que, uma maioria popular não me vê como a UNIRIO me declarou.

Levei uma vida para saber quem sou e como me apresento para o mundo. Por isso e tantas outras que entro com recurso sim! Na luta pelo meus direitos e de muitas outras pessoas que estão por vir nessa mesma situação. 



Hoje: Valeska está contando com você!

Valeska Torres precisa do seu apoio na petição «caeg@unirio.br: Indeferimento da matrícula de Valeska Angelo Torres na Unirio». Junte-se agora a Valeska e mais 173 apoiadores.