CAMPANHA PELA VIDA: NÃO REABRAM AS ESCOLAS DE PARNAMIRIM-RN NA PANDEMIA

CAMPANHA PELA VIDA: NÃO REABRAM AS ESCOLAS DE PARNAMIRIM-RN NA PANDEMIA

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Senhores e senhoras líderes políticos e Gestores Públicos do nosso município de Parnamirim-RN, vimos por meio deste documento expressar nossa grande preocupação com os rumores de que a vossa Administração pretende retomar as atividades escolares em nosso município ainda em plena pandemia e em cenário de grande perigo para a saúde e as vidas das nossas crianças, dos professores, demais servidores da educação e da sociedade parnamirinense em geral.

A despeito de compreendermos a importância da Educação para as nossas crianças e para a emancipação do nosso povo de antigas e persistentes correntes que o impedem de desenvolver todo o seu potencial e alcançar a capacidade de poder fazer escolhas de maneira livre e destemida, consideramos que não há qualquer benefício que compense o perigo que representa a reabertura das escolas de modo precoce, antes do fim da pandemia.

É de conhecimento amplo que a Educação brasileira, com raras e louváveis exceções, nunca recebeu o tratamento prioritário que merece. Em Parnamirim não é diferente. As estruturas existentes nas unidades e centros infantis do nosso município deixam a desejar e sequer oferecem conforto e higiene adequados aos alunos, professores e demais servidores, mesmo antes da pandemia. Como alguém poderia pensar que estariam adequadas para garantir a segurança das nossas crianças e da comunidade escolar na pior crise de saúde pública pela qual passamos?

Os números de casos confirmados de COVID-19 em Parnamirim já se aproximam de 4.000, com mais de 2.800 em investigação e, até a elaboração deste documento, nossa cidade já tinha perdido 114 de seus filhos para essa terrível doença. Isso se considerarmos os números divulgados pela Prefeitura nas redes sociais como corretos, uma vez que divergem de maneira recorrente dos que são publicados pelo Laboratório de Inovação em Saúde-LAIS da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, com dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública-SESAP, ainda mais alarmantes. Sequer direito à informação confiável e transparente tem sido garantido aos cidadãos de Parnamirim.

Por falar em redes sociais, nas publicações veiculadas pela Prefeitura de Parnamirim e pagas com o nosso valioso e escasso dinheiro público as condições apresentadas são de dar inveja a muitos países desenvolvidos da Europa. Propaganda cara que distorce a verdade e contribui para alienar aqueles que já não estão adotando os cuidados necessários diante da pandemia.

O fiasco que representou a distribuição dos chamados “kits merenda” implementado com meses de atraso, calendário de distribuição que deve ter sido elaborado por alguém que não sabe o que é depender de auxílio governamental para comer ou alimentar seus filhos e qualidade bastante questionável, são um importante retrato de como o nosso Município não está adequadamente preparado para prover as escolas com estrutura minimamente adequada para sequer cogitar a sua reabertura neste momento.

Evidências diárias de falta de fiscalização, mesmo antes dos decretos que autorizaram a reabertura precoce e inconsequente de estabelecimentos comerciais não essenciais e de templos religiosos, demonstram que há por parte da Prefeitura pouquíssima ou nenhuma capacidade de impedir que as medidas sanitárias e de “distanciamento social” sejam descumpridas em plena luz do dia.

Estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ, instituição vinculada ao Ministério da Saúde e mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, alerta para os riscos de um retorno precoce das atividades presenciais nas escolas para os familiares que convivem com as crianças, como avós, tios e pais que podem desenvolver sintomas graves e, em muitos casos, vir a óbito.

“O retorno da atividade escolar, que vem sendo anunciado de forma gradativa por vários estados e municípios, coloca os estudantes em potenciais situações de contágio. Mesmo que escolas, colégios e universidades adotem as medidas de segurança (e elas sejam cumpridas à risca), o transporte público e a falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças que andam sozinhos fora de casa representam potenciais situações de contaminação por Covid-19 para esses estudantes. O problema é que, se forem contaminados, esses jovens poderão levar o vírus Sars-CoV-2 para dentro de casa e infectar parentes de todas as idades que tenham doenças crônicas e outras condições de vulnerabilidade à Covid-19, representando uma brecha perigosa no isolamento social que essas pessoas mantinham até agora.” (FIOCRUZ, 2020)

Muito embora alguém possa considerar de maneira imprudente que as crianças seriam supostamente imunes ao novo Corona Vírus, a Nota Técnica 12 da Instituição, de 22 de julho de 2020, ainda alerta:

Cabe destacar que a doença embora não tenha como principal alvo as crianças, não é descartada a hipótese de que ocorra aumento do número de casos nas crianças e, sobretudo em idades mais novas, por conta da dificuldade de manter estas crianças em distanciamento e sem aglomerações em ambientes escolares.

E o que dizer da situação dos Professores e demais servidores que atuam diretamente com os estudantes? Quantos pertencem ao chamado grupo de risco? Alguém ousaria dizer que estariam protegidos com uma máscara e um pouco de álcool gel, ao mesmo tempo que estariam expostos ao contato próximo com muitas crianças e colegas de trabalho, submetidos ainda a um desgaste psicológico extremo e levando o perigo consigo para dentro de suas casas?

Qual o aproveitamento que se espera em uma retomada das aulas presenciais sob tais condições?

Não adianta que o melhor dos protocolos seja elaborado e posto no papel quando na dura realidade na qual vivemos, pelo menos ainda, são inviáveis a sua execução e atendimento.

Dito isto e diante de tudo que está posto, nos manifestamos enquanto Sociedade Civil Organizada de maneira totalmente contrária à reabertura das escolas do Município de Parnamirim-RN enquanto durar a pandemia e em defesa da saúde vida.

Recomendamos que tentem tirar o máximo possível de aprendizado com os problemas escancarados e agravados com essa pandemia para que possam preparar melhor a nossa Educação para fazer frente aos desafios que esses novos tempos trazem para todos nós.