Celso Dornelles DornellesPorto Alegre, Brazil
May 8, 2015
AÇÃO EM DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE SÃO BORJA Manifesto pela preservação do patrimônio histórico, cultural e paisagístico de São Borja. São Borja, o mais antigo núcleo urbano do Rio Grande do Sul, pode ser considerado, por muitos, como a cidade de maior longevidade. Mas quem poderá procurar nas ruas desta cidade vestígios disto? É difícil encontrá-los; talvez na característica da poeira vermelha que pousa no ar ou em nas paredes e calçamentos de suas vias, possa lá estar. Praticamente as marcas mais importantes do primeiro dos sete povos das missões não estão mais aos olhos do passante curioso. As duas igrejas, os monumentos mais importantes de sua povoação inicial, foram destruídas em nome de um aclamado progresso. Para o fim de sua igreja matriz, que fora reconstruída várias vezes, chegou-se a justificar a instalação da sede de uma diocese, o que jamais aconteceu. As pedras da igreja demolida serviram para outras construções e depois mais outras até finalmente se perderem. Este passado tão distante, de uma São Borja terra de ninguém, passando pelo domínio Espanhol e depois Portugal, são difíceis de serem encontrados testemunhos, restando peças em algum museu ou em uma ou outra casa particular. Como cidade de um Brasil Imperial, São Borja, de uma invasão onde 650 homens defenderam-na contra 12.000 soldados na Guerra do Paraguai, é difícil saber por onde aconteceu tal batalha. Talvez alguém possa ser informado no regimento João Manoel ou seria na rua de mesmo nome pois fora importante comandante dos Voluntários da Pátria e que a defendeu. Alguns livros dizem que sobrou o cemitério paraguaio, onde os heróis e vilões anônimos estão lá como o cemitério do cemitério esquecidos em algum lugar próximo das barrancas do Rio Uruguai. Dos feitos heroicos verdadeiros, dos fundadores de um dos Clubes Republicanos mais antigos do Brasil Império, da liberdade aos escravos bem antes da Lei Áurea, não sobrou nem a casa do Vereador Aparício Mariense, a casa de quem teve participação decisiva em um Brasil republicano; a bonita casa deu lugar a uma destas repúblicas de quinquilharias que, por ironia ostenta a placa da rua com o nome do samborjense ilustre. Na virada do século 20, um herói de dois mundos como o soldado Mancias Alves, soldado da FEB na Itália na luta que libertou o mundo do Nazi-facismo, ficou no nome de uma rua onde talvez possa ter tido uma casa no endereço sem número para a placa de bronze que nunca foi entregue. Do ilustre mais conhecido da cidade, Getúlio Vargas, sua casa de nascimento, junto à praça principal, também não existe mais, no seu lugar um prédio destes quaisquer, em formato de caixa: no seu pavimento térreo uma loja de roupas na qual a poeira da cidade se acumulará em suas golas. E assim foram sumindo uma a uma cada exemplar do casario dos senhores de um tempo, aqueles que construíram a riqueza e a cultura da cidade. Restaram tão poucas que foi possível listar em um decreto-lei, um número que não chega a preencher uma página. São Borja, que foi invasão e posse de vários: bandeirantes, jesuítas, espanhóis, portugueses de exércitos de nomes ilustres como Artigas, Rivera, Solano Lopes, mas jamais foi abandonada como outros dos 7 povos das missões. Quem abandonou a riqueza desta história foram os gestores públicos que sobre um pretexto arrogante do desenvolvimento fecharam os olhos para a destruição de muitos dos edifícios, cenários de seus feitos. Apesar da lista, de boa iniciativa, muitos destes poucos remanescentes, mesmo que presentes no tal decreto lei, estão em precárias condições ou mesmo já destruídos, ainda que em Lei apareçam como se lá estivessem. O administrador atual foi capaz de retirar da lista uma destas. Dois dias depois não restava um único tijolo da casa construída pelo Barão de São Lucas, onde viveu o simpático imigrante português Fernando Abreu e lá onde nasceu um dos importantes embaixadores brasileiros da atualidade, Fernando Marroni Abreu, que representa o Brasil na FAO; mas as gerações futuras não poderão saber onde ficava aquele bonito sobrado de colunas dóricas em seu estilo eclético já numa paisagem desfigurada por lojas de artigos de plásticos e roupas baratas vindos de algum lugar do outro lado do mundo. É o mesmo administrador que deixa abandonado o edifício que a cidade recebeu sem ônus da União Federal, o antigo prédio da Estação Férrea. Entre telhado danificado, goteiras, vidraças quebradas e até um galinheiro encostado em sua parede, está instalado o Centro Cultural do Município; estaria lá boa parte do arquivo que documenta muitas das histórias que aqui tentamos passar rapidamente. Somos samborjenses de nascimento ou de adoção que por diferentes circunstâncias viramos cidadãos do mundo mas que, com uma história tão rica, como seus cidadãos do passado, não nos é deixado a alternativa de abandoná-la. Manifestamos aqui nosso repúdio a este contínuo desrespeito à nossa história. O progresso não é inimigo do passado e os gestores públicos não têm o direito de decidir que a pretensa construção de hoje é melhor que as casas dos personagens que construíram nossa cultura e história. Queremos ações verdadeiras, se o município não tem condições de efetivar o recurso do tombamento, a concessão de benefícios e incentivos aos seus proprietários é instrumento que está regulamentado constitucionalmente através do Estatuto das Cidades, ou mesmo de promover alternativas como outros municípios já o fizeram. Queremos um poder público que, mais que reuniões, comissões e leis e “contra-leis” cumpra sua função que é a de apresentar projetos reais e factíveis proporcionando um diálogo com sua comunidade. Somos profissionais de diferentes áreas que, embora longe da cidade, não foi possível excluir de nossas mentes a poeira vermelha da nossa história. A preservação do patrimônio histórico, cultural e paisagístico deve estar necessariamente incluída dentro de uma proposta de desenvolvimento urbano e da humanização da cidade que recupere sua identidade histórica e cultural, mais que alguns edifícios pontuais e de placas em nome de ruas e logradouros. Somos todos São Borja, somos parte ativa da sua história. ASSINAM: NOME PROFISSÃO CPF/RG Hilton Albano V. Fagundes Arquiteto/Professor Univ. 371.553.000-63 Antonio Celso Marques Dornelles Me. Design/ Designer de Joias 259.133.440-49 Antonio Carlos Dornelles Ayub Advogado 401.292.920-87 Ulisses A. Nenê Jornalista 375.018.360-00 Marcelo Cabeleira Escobar Advogado 331.969.740-49 Bruno dos Santos Cerezer Arquiteto e Urbanista 303.373.130-91 Milton A. Vieira Fagundes Mestrando História/Professor 347 212 380-20 Maria Luisa Da Silva B. Escobar Universitária 025.201.780-35 Núbia Zambonatto Professora 405.805.870-15 Manoel Santiago Neto Músico/Comp./Prod. Cultural 473.104.300-00 Patrícia Fagundes Psicóloga Letícia Carvalho Vivian Mest. Turismo e Hospitalidade 813.574.600-82 Lígia Marecy Fagundes Riesgo Relações Públicas 303.784.000-53 Maria do Horto Fraga Cerimonialista 253.092.770-72 Carmem T. V. Flores Empresária 481.883.870-53 Valéria Rangel Secretaria de Direitos Humanos 565130620-04 Marco Aurélio Lima Trindade Empresário 149.194.860-49 Clara Silvia Da Silva B. Escobar Empresária 762.145.080-00 Davide Carbonai Professor 852.141,400-53 Regina Sperandio Nitz Bancaria 182.525.160.68 Maria Regina Soares Prof. e Funcionária Pública 244.291.710-68 Elizabeth Sperandio Professora 143.994.407-34 Ruleni Aragon Alvarez de Mello Secretária executiva 028.935.331-91 Ademar Aragon Alvarez de Mello Instrutor de Trânsito 330.469.307-63 Marta Helena Lima Trindade Professora 144.028.821-68 Vanda Mariano da Rocha Silla Agropecuarista RG 1031876822 Paulo de Tarso P. Pacheco Auxiliar de Engenharia 481.866.940-72 Patrícia Fagundes Psicóloga 209.241.522-9 Leila Copello Bremm Arquiteta e Urbanista 909.240.100-53 Jorge Luiz Krieger Holsbach Engenheiro Eletrônico 374.996.880-20 Adriana Maranhão Marchiori Bacharel Ciências Contábeis 415.122.510-20 Valeria Sperandio Rangel Funcionária Pública Federal 565.130.620-04 Maria Lucia Sperandio Nutricionista 491.434.170-00 Rene Goya Filho Cineasta 565.123.680-53
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