Não à destruição da Praça São Crispim e demais para a construção do piscinão na Lapa!

0 pessoa já assinou. Ajude a chegar a 1.000!


Curta e divulgue a página do Movimento Pela Preservação da Praça São Crispim no Facebook e da Associação Juntos Pelas Árvores. 

www.facebook.com/preserveapracasaocrispim/

instagram.com/juntospelasarvores

Enquanto o resto do mundo se desdobra em tecnologia para compensar os males de uma urbanização anti sustentavel preservando suas praças e criando novas areas verdes, o Governo do Estado de São Paulo, sob a gestão Bruno Covas lançou um projeto de parceria público privada que promove a devastação de 5 praças de São Paulo para que possam dar lugar a um reservatório de captação de água da chuva cujo entorno ou superficie, se coberta, deverão ser explorados pela iniciativa privada por 30 anos, transformando um espaço publico arborizado em privativo; só na São Crispim são três mil metros quadrados de área verde na Lapa que deixarão de existir para dar lugar a um dos tipos de obra de drenagem urbana ultrapassada e condenada por especialistas como uma medida paliativa e anti sustentável em comparação a outras inumeras alternativas (que incluem ampliação da capacidade das galerias a jusante, calçadas com piso permeavel, supertubos e jardins de chuva). Os moradores contestam e afirmam que na região existem imóveis para serem desapropriados, inclusive terrenos próximo ao mercado da Lapa, onde enchentes costumam acontecer por acumulo de volume, mas a prefeitura quer apagar uma área delimitada entre a rua Tito e Av Ricardo Medina Filho que engloba duas praças, dois ponto de ônibus, uma rua que ameniza o trânsito do local, playground e de entorno residencial em um ambiente recreativo para os moradores da região. Outra obra de mesma natureza esta prevista na Praça Rio dos Campos, na Pompéia. A perda desta área representa uma perda no tocante ao meio ambiente, saúde pública, valor paisagistico e urbanistico da cidade e acima de tudo a perda de um espaço público ocupado há 100 anos pelos moradores da Lapa e adjacências.

Todas as praças na Vila Ipojuca são adotadas pelos moradores que trabalham pela preservação e bom uso do espaço público; são pontos multifuncionais de convivio constante dos moradores e é dever da administração municipal, com base na lei orgânica do municipio zelar pela preservação destes para as próximas gerações.

Piscinões comprovadamente promovem a desvalorização paisagística da área, interrupção do tecido urbano, desvios da malha viária e ainda preocupam os moradores com as mazelas sanitárias decorrentes do acúmulo de água parada por grandes períodos de tempo, eles são apenas uma das possibilidades de se conter parcialmente os alagamentos e funcionam melhor em areas de inundação, como as que acontecem ocasionalmente na rua Guaicurus, por exemplo, o que nunca foi o caso da respectiva area que a Prefeitura quer destruir na Vila Ipojuca.

"Além do alto custo ambiental e da promoção de toda sorte de deterioração do ambiente, dos usos do espaço público e de sua base cultural, é evidente que essa agressão ao patrimônio público reproduzirá os erros cometidos na Av Santo Amaro, criando o caos, a desvalorização imobiliária, prejuízos ao comercio e a atividade econômica, abandono de imóveis, geração de cortiços, destruição da fonte de sobrevivência de comércios, de seus proprietários e da população com os empregos que criam, os impostos que geram, sendo a pá de cal nos que bravamente ainda resistem a crise.

Mas será que esse alto custo financeiro, ambiental e social vale a pena ser pago para resolver o problema de enchentes nas proximidades do mercadão da Lapa?

Se fosse realmente necessário fazer um piscinão na região da praça São Crispim, ao lado dela há o terreno do antigo supermercado Sé, que é maior e está vazio há mais de uma década. Não há lógica alguma em acabar com uma praça como a São Crispim quando se tem outra opção que não causa tantos prejuízos.

A Bacia do córrego Tiburtino é formada basicamente por dois afluentes, limitados pelo espigão da Rua Cerro Corá, onde ficam suas nascentes. Um deles fica na bacia compreendida entre a Rua Pio XI e Rua Toneleiros, coletando as águas de uma área de aproximadamente 0,86 Km2. O outro fica entre a Rua Toneleiros e a Rua Aurélia, e coleta águas de cerca de 1,25 Km2, área quase 50% maior que a primeira.

Um piscinão na praça São Crispim coletaria as águas de chuva de sua menor parte, diminuindo a enchente no mercadão em apenas 29%. Seria muito mais eficiente fazer um reservatório na rua Francisco Alves onde poderia coletar até 42% das águas que hoje chegam ao mercadão." (Trecho retirado de blogdotano.blogspot.com)

CONSEQUÊNCIAS ONDE A OBRA FOI IMPLANTADA:

Em 2014, após uma chuva forte no bairro Jardim Maria Sampaio, um piscinão transbordou e causou estragos que alagaram ruas, casas, comércios e provocaram desabamentos de muros e lajes, moradores perderam todos os moveis e a sub prefeitura não deu respostas. Em 2019, após fortes inundações, o próprio prefeito de São Bernardo reiterou que os 3 piscinões na região não resolveram o problema "Na parte baixa tem piscinão na divisa de São Bernardo com Diadema, outro atrás da fábrica da Ford e outro na frente da fábrica da Mercedes-Benz. Nenhum deles comportou (…) Quando ate o piscinão transborda fica difícil controlar”, lamentou Orlando Mourando. Em Fevereiro deste ano, moradores do ABC reclamaram que em pouco tempo depois de concluido os piscinões viraram depósito de lixo sem manutenção pelo poder público, o que acabou transformando-o em criadouros de vetores de doenças. “Essa é uma água altamente contaminada e traz ainda problemas, com doenças, como dengue e febre amarela." analisou o engenheiro e professor da Faeng Antonio Laércio Perecin (USP)


Como diz o especialista em drenagem urbana Aluísio Canholi:
“É uma alternativa eficaz nos casos em que a causa de você ter uma certa área de inundação seja por excesso de volume, excesso de vazão. No entanto, eles podem ser também aplicados em conjunto com outras soluções. Você pode, por exemplo, aumentar as áreas verdes da cidade e, principalmente, preservar o que ainda está de pé”


Existem inumeros especialistas que criticam a criação de piscinões e os apontam como ineficazes por um conjunto de fatores como o acúmulo de lixo e entulho nas vias e galerias da cidade, a falta de planejamento urbano, a desarticulação entre os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos, a contaminação da água por larvas de mosquitos que transmitem doenças. "Eles (piscinões) são uma medida paliativa, lá não chega só água, mas também sedimentos, lixo, a própria população deposita detritos ali(o que tende a fazer o deposito transbordar e/ou exalar mau odor e com isso cria problemas para a população que mora e trabalha no entorno). Assim, o reservatório fica atolado. Fora que demandam tecnologias caras movidas por energia elétrica. Chove, cai uma árvore e arrebenta um fio. Pronto, não tem eletricidade, e o mecanismo não funciona direito" explica Filipe Marques Facetta, pesquisador da Seção de Investigações, Riscos e Desastres naturais do IPT. Situação parecida aconteceu também com piscinão no Jardim dos Eucaliptos, em Caieiras. Em 2018, nem o maior piscinão na cidade, o de Guaramiranga funcionou, acabou por transbordar; ao menos três pessoas morreras, João Dória confirmou o mau funcionamento. Em Pirituba, o mesmo problema constante. "Acontece que quando chove o piscinão transborda e todo o esgoto vai para minha casa. Dois imóveis atrás da minha casa já foram desocupados devido mau cheiro das fezes. As fezes estão se transformando em gás metano nesse piscinão. Uma tragédia anunciada!" relatou a moradora.


A Lapa já conta um reservatório de retenção próximo ao cemitério da Lapa e outro a caminho na Diógenes Ribeiro de Lima. Vale a pena devastar 3.000m² de área verde de grande valor para os moradores a fim de implantar uma medida paliativa para reduzir efeitos das enchentes sendo esta medida condenada por especialistas como uma obra cara, que requer constante manutenção pela prefeitura(nem sempre realizadas) e que não resolve o problema além de criar outros que envolvem o bairro inteiro? Trocar uma área verde valiosa para o convivio de quem mora aqui por uma escavação e pela tragédia anunciada ao analisar casos dos piscinões já existentes em bairros onde os municipes sofrem com transbordamento que leva a sujeira e vetores de doença para a casa das pessoas existe alguém que será beneficiado com isso a não ser as empreiteiras contratadas para o serviço?

Aos advogados que quiserem contribuir voluntariamente com qualquer forma de acessoria juridica na luta pela preservação da Praça São Crispim, favor entrar em contato por inbox em: instagram.com/juntospelasarvores

Geovanne Gonçalves e Grupo Juntos Pelas Árvores: instagram.com/juntospelasarvores

Link do projeto da prefeitura: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/governo/projetos/piscinoes/consulta_publica_piscinoes/index.php?p=287518

Matéria da USP sobre piscinões: https://jornal.usp.br/atualidades/piscinoes-sao-apenas-medida-paliativa-para-drenagem-de-enchentes/

Matéria sobre a ineficácia dos piscinões: https://dcomercio.com.br/categoria/sustentabilidade/por-que-os-piscinoes-nao-funcionam-para-as-enchentes?fbclid=IwAR0GcR1wWO_P2bP8PZYwE3-qelokD5Mg3XGEdO-2sk8VmeuY_q7Z1iiwHd4

Artigo científico de análise dos impactos dos piscinões na escala local:https://www.usjt.br/arq.urb/numero-17/2-paulo-barreto.pdf